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30/04/2006

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim informativo nº 28
1 de Maio


Sumário


Mensagem da equipe editorialo de 2006

A Federação de Turismo Comunitário da Guatemala (FENATUCGUA)Uma abordagem diferente do turismo

O 2º Fórum Internacional do Turismo Solidário e do Comércio Justo (FITS)De 24 a 27 de Março de 2006, Tuxtla Gutierez, Chiapas, México

Primeiro Simpósio Africano de Comércio Justo De 6 a 9 de Abril, no Benin

Associação Internacional dos investidores em economia social (INAISE)Conferência anual, 1 e 2 de Junho de 2006

Anúncios
A – 4º Encontro Internacional de globalização da solidariedade (anúncio prévio)
B – Fórum Social Mundial 2007
C – Cooperar em português
D – Seminário sobre envelhecimento das populações rurais e o desenvolvimento dos seus territórios


Mensagem da equipe editorial
Neste número apresentamos uma abordagem do turismo que integra a dimensão do desenvolvimento local e comunitário e, por outro lado, a dimensão de uma actividade económica que se ajusta plenamente ao conceito de economia social e solidária.

Durante a sua participação no Congresso da rede Canadiana de desenvolvimento económico comunitário (RCDÉC), que teve lugar em Vancouver de 16 a 18 de Março últimos, Yvon Poirier encontrou um representante da FENATUCGAU, da Guatemala. No atelier sobre turismo comunitário, exemplos semelhantes foram apresentados: Costa Rica, Tailândia e Botswana.

O 2º Encontro internacional de turismo solidário e de comércio justo que teve lugar no México, testemunha o vigor deste tipo de iniciativas em prol das comunidades locais.

Chamamos ainda a vossa atenção para o próximo encontro de INAISE que se realizará em San Sebastien, Espanha, a 1 e 2 de Junho.

Acolhemos com prazer os artigos de Judith Hitchman e de Norbert Tréhoux, contribuições pontuais que vêm enriquecer as informações que transmitimos neste boletim.

Equipe editorial
Francisco Botelho
Yvon Poirier
Martine Théveniaut

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A Federação de Turismo Comunitário da Guatemala (FENATUCGUA)
A FENATUCGUA nasceu em Janeiro de 2005, com o objectivo de criar uma estrutura que agrupasse os destinos turísticos comunitários e os seus parceiros. A organização envolve representantes das comunidades e possui um Conselho de Administração eleito. É apoiado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo Instituto Guatemalteco do Turismo (INGUAT) e pelo Instituto de Formação Técnica (INTECAP).

Missão : como organização sem fins lucrativos representando os actores a nível nacional, promove o desenvolvimento e a auto-suficiência das comunidades abrangidas através de projectos turísticos criados pelas populações locais, numa perspectiva de igualdade de géneros, respeitando e valorizando as respectivas culturas e o meio ambiente.

Visão: somos uma organização reconhecida a nível nacional e internacional, que contribui para a melhoria da qualidade de vida das populações das organizações comunitárias associadas, através da sua participação na gestão e na administração de projectos turísticos produtivos, assentes no respeito pelas respectivas culturas, na igualdade de género e na conservação do meio ambiente.

Para que as comunidades e as organizações se tornem membros da FENATUCGUA é indispensável uma condição – que se encontrem implantadas nas actividades turísticas comunitárias em curso. Os projectos beneficiam as comunidades locais e não existem apenas pelo facto de prestarem serviços específicos. A comunidade ou a organização participa efectivamente na gestão e na administração do destino turístico. Para além disso, os benefícios gerados devem reverter para a comunidade no seu conjunto, ou para uma percentagem significativa da população. Factores como o respeito pela conservação dos recursos naturais, o interculturalismo, a igualdade dos géneros, são essenciais em cada uma das experiências, para se tornar num membro efectivo e para beneficiar das acções da Federação.


Neste momento, fazem parte da FENATUCGUA 29 comunidades e projectos:

Asociación Ak’ Tenamit (Izabal) ADIQK-Región Ixil (Quiché)
Asociación Rupalaj Kistalin (Sololá) Aventura Maya K’iche’ (Totonicapán)
Consejo Chajinel (Sololá) Comunidad Aquil Grande (Alta Verapaz)
Comunidad Carmelita-El Mirador (Petén) Comunidad Chicacnab (Alta Verapaz)
Comunidad Lajchimel (Quiché) Comunidad Pamuc (Alta Verapaz)
Comunidad Paso Caballos (Petén) Comunidad Plan Grande Quehueche (Izabal)
Comunidad Roc já Pomtilá (Alta Verapaz) Comunidad San Lucas Sequilá (Alta Verapaz)
Comunidad El Porvenir (Alta Verapaz) Comunidad Candelaria (Alta Verapaz)
Comunidad La Unión (Petén) Finca Santa Anita (Quetzaltenango)
Comunidad Sepalau (Alta Verapaz) CASODI (Quiché)
Comunidad Santa Isabel (Alta Verapaz) Salto de Chilascó (Baja Verapaz)
San Juan Comalapa (Chimaltenango) San Vicente Pacaya (Escuintla)
Comunidad El Zapote (Petén) San Antonio (Retalhuleu)
Corazón del Bosque (Sololá) Comunidad Mucbilhá (Alta Verapaz)
CECEP (Alta Verapaz)

Os destinos que a FENATUCGUA representa caracterizam-se pela riqueza cultural e natural, acrescentando uma mais valia à oferta turística da Guatemala. O que possibilita partilhar as culturas ancestrais e conhecer a enorme biodiversidade através de um contacto directo e autêntico com as populações locais, experiências que complementam os destinos tradicionais de renome mundial.

Para mais informações, comunicar com :

Francisco Enríquez
turismo_comunitario@yahoo.es

Ou visitar o sítio Internet www.redturs.org, que possui informação detalhada sobre cada um dos destinos turísticos.

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O 2º Fórum Internacional de Turismo Solidário e do Comércio Justo (FITS)De 24 a 26 de Março de 2006, Tuxtla Gutierez, Chiapas, México.

Este Fórum teve como objectivo facilitar a troca, promover a reflexão e ajudar à construção de alternativas concretas que aliem a preservação ecológica, a igualdade económica, a justiça social e a valorização cultural. Possibilitou que organizações « de base » do Sul pudessem reunir entre si, descobrir quais as especializadas em turismo, na produção agrícola ou artesanal, e reencontrar outros actores de « trocas justas » : ONG’s locais, gestores de fundos, associações de consumidores, media, profissionais dos respectivos sectores, tanto do Norte como do Sul.

Cada vez mais numerosas, as organizações de base levam a cabo projectos de desenvolvimento local sustentável com a preocupação de utilizar tecnologias respeitadoras do Homem e do Ambiente. O reforço destas comunidades depende, por um lado, da sua implicação em redes nacionais e regionais e, por outro, da implementação de raras sinergias entre as diferentes fileiras de serviços como o turismo, podendo reforçar-se mutuamente bem como a autonomia económica das comunidades. Foram feitas visitas locais, bem como conferências, mesas redondas e ateliers, enquadrando participantes provenientes de cerca de 60 países.

Nos ateliers, muitos defenderam o desenvolvimento sustentável dos territórios, designadamente através da actividade turística. Foi o caso de um projecto levado a cabo em Cabo verde pela rede T2D2 (Turismo, Território e Desenvolvimento Sustentável). Respondendo a uma pergunta do moderador, T2D2 propôs-se intervir utilizando a metodologia Alticoba 21 (apresentada neste Boletim nos nºs 11, 12 e 13) para criar uma oferta turística responsável e adaptada. Esta abordagem permite colocar no mercado uma oferta que seja: a) um utensílio de promoção turística e cultural do património rural de Cabo Verde conseguindo levar a cabo um produto completamente diferente acentuando a identidade turística de Cabo verde ; b) uma actividade geradora de rendimentos para lutar contra a desertificação e a pobreza ; c) um instrumento para uma gestão mais integrada e mais participativa dos recursos naturais.

Artigo de Norbert Tréhoux
www.fits.chiapas.gob.mx/
www.t2d2.org

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Associação Internacional dos Investidores em Economia Social (INAISE)Conferência anual 2006
"Inovação para o sector da finança social" é o tema da conferência internacional organizada este ano pela INAISE, Associação internacional dos Investidores em Economia Social e que vai ter lugar em San Sebastien, Espanha, a 1 e 2 de Junho. A conferência é organizada em colaboração com Fiare e o programa completo, bem como a inscrição estão disponíveis no sítio Internet http://www.inaise.org ou no sítio Internet da própria conferência - www.inaise2006.org
A conferência será orientada por Carlos Ballesteros, da Universidade de Comillas, Esteban Barroso, director geral do banco Triodos, Peru Sasia, director geral de Fiare e Raul Contreras da associação Enclau. Comporta três mesas redondas e três temas diferentes, visitas a projectos entre as quais uma visita ao grupo MCC em Mondragon, bem como ateliers : da micro finança à finança social, novos instrumentos de financiamento do desenvolvimento ; o problema da habitação na Europa : utensílios financeiros para pessoas desfavorecidas ou esforços coordenados para uma luta comum ?; o financiamento de energias renováveis em pequena escala; inserção social face à globalização, cada vez mais as pessoas são confrontadas com empregos precários… como ajudar estas pessoas?; a produção e o consumo, o financiamento da agricultura biológica e do comércio justo.

Viviane Vandemeulebroucke
Coordenadora
www.inaise.org
www.inaise2006.org

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Premeiro Simpósio Africano de Comércio Justo
De 6 a 9 de Abril de 2006, no Benim

O 1º Simpósio Africano de Comércio Justo teve lugar em Cotonou, no Benim, de 6 a 9 de Abril. Reuniu cerca de 60 actores vindos de diferentes regiões de África, da Europa e do Canadá.

As aspirações do comércio justo em África são múltiplas. As antigas colónias francófonas e anglófonas representam sub regiões que não partilham nem as mesmas culturas nem as mesmas línguas, o que dificulta a comunicação. A falta de infraestruturas dificulta também o desenvolvimento fácil de um potencial comércio africano (estradas, linhas férreas e aéreas inadequadas).

O comércio justo é uma das principais alavancas do desenvolvimento local sustentável e endógeno. Na sua origem mais uma abordagem baseada na solidariedade Norte-Sul, o Comércio Justo afasta-se hoje da sua infância, tornando-se um instrumento privilegiado de que os povos (Africanos ou outros) se podem utilizar para contrapor ao comércio tradicional, explorador dos produtores, uma forma de transacção mais justa e alternativa. Permite preservar – valorizar e desenvolver com lógica e coerência – as produções tradicionais (especialmente as agrícolas, transformadas ou não e as artesanais) e outras produções. É precisamente o contrário de um comércio internacional dedicado a produzir lucros desmesurados para uns, em prejuízo de pequenos produtores locais e de uma qualidade de vida sempre inferior para uma vasta maioria dos habitantes quer do Norte quer do Sul. Permite criar cadeias curtas entre produtores e consumidores, onde todos se encontrem em termos de preços e de qualidade. Deveria conduzir a implementar localmente iniciativas de mais valias (transformação, embalagem), hoje concentradas nos países do Norte. E, sobretudo, conduzir a vendas recíprocas entre países do Sul, sempre respeitando as culturas locais, o que nem sempre sucede actualmente.

Para atingir a idade adulta, um sector, tal como um ser humano, precisa de ultrapassar desafios. É o caso actual do Comércio Justo. É preciso aprender a trabalhar em conjunto, juntando as energias e forças, construindo capacidades colectivas e capitalizando as forças culturais colectivas como são as de África.

Atingir a idade adulta significa também aprender a fazer ouvir a sua voz, afirmando-se e fazendo-se respeitar como parceiro efectivo. É a aspiração de se impor nas negociações internacionais de comércio, quer junto da União Europeia (trata-se dos acordos APE) ou da OMC.

Estas mudanças de lógicas e de práticas exigem uma tomada de consciência reforçada a todos os níveis. Exigem um reforço da capacidade de comunicação. O simpósio de Cotonou juntou tijolos que deveriam permitir uma bela construção no futuro, baseada em pessoas que aprenderam a conhecer-se, a tomar consciência da importância das conquistas colectivas que podem resultar de uma abordagem que ultrapassa as línguas e os países, e no trabalho conjunto na co-construção de um verdadeiro Comércio Justo em África, elemento indispensável para um desenvolvimento local sustentável e endógeno.

Redacção : Judith Hitchman


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A- 4º Encontro Internacional da globalização e da solidariedade (Bélgica) Tomem nota de que o encontro se vai realizar de 5 a 8 de Abril de 2007. Daremos notícia do anúncio oficial no próximo número.

B- Fórum Social Mundial 2007
A Comissão Internacional do FSM decidiu as datas do Encontro 2007. Terá lugar de 20 a 25 de janeiro em Nairobi, no Quénia.
http://www.forumsocialmundial.org.br/

C- Cooperar em português
Esta iniciativa de cooperação consagrada ao desenvolvimento local em países de língua oficial portuguesa, de que Francisco Botelho já nos falou, dispõe de um sítio Internet
http://www.cooperaremportugues.org/

D - Seminário sobre envelhecimento das populações rurais e o desenvolvimento dos seus territórios
A associação de desenvolvimento local portuguesa ADRACES organiza esta troca de experiências entre europeus, com a participação de Gérard Peltre, presidente de MER (Movimento europeu da ruralidade). Este seminário é um dos itinerários da Universidade Rural Europeia que terá lugar em Szolnoz, na Hungria, de 29 de Junho a 2 de Julho. Camilo Mortágua apresentará, nesta ocasião a nova revista VIVER “Vidas e Veredas da Raia”.
Para mais informações: celso.lopes@adraces.pt



Os nossos boletins estão disponíveis na Internet:

http://desenvolvimentolocal.blogspot.com/
www.apreis.org/

Agradecimentos :
A Évéline Poirier do Canadá, pela tradução inglesa
A Anne Vaugelade, de França, pela tradução espanhola

Contacto (para informações, novas inscrições e desistências)
Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca
Francisco Botelho frbotelho@mail.telepac.pt

01/04/2006

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim informativo nº 27
1 de Abril de 2006

Sumário

Mensagem da equipe editorial
1- Aliança Internacional dos Habitantes Luta pela preservação dos direitos sociais

2- Instituto Nacional do Desenvolvimento Local em França Notícia da criação

3- A Declaração de Bamako de 18 de Janeiro de 2006 Fórum Social Mundial Policêntrico de Bamako

4- « Quem é o bobo da corte?” (literalmente “Quem é o peru da comédia?” A propósito da gripe aviaria

5- Inclusão social e desenvolvimento económico comunitário Pesquisa efectuada no Canadá

6- Boletins informativos disponíveis na Internet Convite à assinatura

7- Economia social e solidária e a Europa : que futuro ? Notícia de colóquio

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Mensagem da equipe editorial
Através das nossas respectivas actividades temos acesso a informações de interesse para outras pessoas envolvidas no desenvolvimento das suas comunidades, rurais e urbanas, do Sul e do Norte.

Por isso, neste número, optámos por vos dar um conjunto de pequenas informações ligadas às nossas áreas de intervenção. Por exemplo, a gripe aviaria : por um lado ela afecta o controle alimentar para as populações locais, por outro lado mostra claramente como a indústria mundial de carne de aves e a globalização neo-liberal afectam gravemente as pequenas explorações de proximidade.

No que se refere à Declaração de Bamako é interessante saber que esta atitude gerou controvérsia no seio da organização do Fórum Social Mundial. Porque esta Declaração foi preparada antecipadamente e assinada por um grupo de líderes da “outra globalização” que pretendiam implementar uma acção mais política ao FSM. Este encontro não figurava no programa do Fórum policêntrico de Bamako (embora anunciado no sítio Web do FSM). Assim, não se trata de uma « mensagem política » proveniente dos africanos, excepto para aqueles que se associaram à sua assinatura. E a Declaração suscita controvérsia porque sugere ter sido originada no próprio FSM. Mas a organização do FSM, até ao momento, recusou-se a adoptar posições políticas deste género e o grande objectivo é fazer destes encontros anuais um espaço aberto a todas as organizações e tendências que desejem participar, sem dar uma orientação política específica. Ver a Carta de princípios no sítio Internet do FSM : www.forumsocialmundial.org.br/

Estas questões de orientação, de transparência e de estratégia que se colocam à maior parte dos movimentos cívicos internacionais estarão no centro da discussão do próximo encontro do Conselho Internacional do FSM que se realizará em Nairobi, no Quénia, durante a próxima edição do FSM em Janeiro de 2007.

Na parte final deste Boletim encontrarão a referência a diversas novas publicações. Nos últimos anos, numerosas organizações nasceram em vários países, publicando Boletins informativos. Apesar de serem publicados apenas numa língua (três em inglês, um em francês e um em português) aqueles de que damos nota poderão ser muito interessantes para quem domine as respectivas línguas.

Recomendamos que nos enviem informações que possamos publicar em futuros boletins. Não nos podemos comprometer a publicar tudo, até porque a tradução dos nossos boletins em quatro línguas é muito exigente, mas faremos os possíveis para divulgar toda a informação que nos enviarem.

Equipe editorial
Francisco Botelho
Yvon Poirier
Martine Théveniaut


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1- A Aliança Internacional dos Habitantes
A Aliança Internacional dos Habitantes (AIH), constituída em 2003, tem como objectivo « enfrentar os efeitos perversos de exclusão, pobreza, deterioração do ambiente, exploração, violência nos problemas de transportes, de serviços públicos, de habitação e de estabilidade política urbana produzidas pela globalização neo-liberal ». É formada por associações e movimentos sociais de habitantes provenientes de comunidades, de populações indígenas e de bairros populares, de sem abrigo, de bairros marginais, de cooperativas, de inquilinos e de proprietários, das diferentes partes do mundo. Publica todos os meses uma revista online « IAI Newsletter ».

Extraído do número de Março de 2006 : uma lei de 1996 do Parlamento croata modifica disposições anteriores, instaurando a propriedade privada dos alojamentos, o que permite a expulsão dos seus habitantes. Depois de 1945, na antiga Jugoslávia, o direito de ocupação / habitação estava acima de todos os direitos associados à propriedade – o direito de posse perpétua, o direito de uso livre, absoluto e perpétuo do domicílio, o direito de ter um alojamento à disposição, bem como o direito de participar na gestão do imóvel. A proibição de o ocupante vender o apartamento era a única restrição. Depois da lei de 1996, tiveram já lugar 40.000 expulsões e o processo continua. De idosos, por exemplo, que são frequentemente colocados em casas de reformados, sendo o aluguer descontado na sua pensão de reforma, sem assistência por parte do Estado. Por isso, a « Associação dos Inquilinos da Croácia » lançou a campanha « Expulsão Zero na Croácia, restabelecer o direitos dos inquilinos ao alojamento”.

Ver as possibilidades de apoio em www.habitants.org

Resumo de Martine Theveniaut

2- Nascimento de um Instituto nacional do Desenvolvimento Local em França
No quadro das actividades dedicadas aos territórios rurais, decidiu-se em 2003 fazer do Instituto de Agen, criado em 2001, um pólo nacional de formação contínua e de aplicação da investigação, articulando a sua acção com outros pólos existentes a nível nacional. A sua missão privilegiará uma pedagogia assente na recolha de experiências, estudos de casos e transferência de práticas. Com quatro pólos – a informação documental, a difusão e a animação como base da rede, a pesquisa aplicada com as universidades e centros de pesquisa e a formação aplicada para o exercício de funções territoriais e rurais.
Para saber mais : www.indl.fr

Resumo de Martine Theveniaut

3- A Declaração de Bamako de 18 de Janeiro de 2006 Fórum Social Mundial Policêntrico de Bamako

Resulta da experiência de 5 anos de convergências e de resistência mundial ao neo-liberalismo, trabalhada no quadro dos Fóruns Sociais Mundiais, temáticos, continentais e nacionais e da Assembleia dos movimentos sociais. São eles os seus principais autores. Esta Declaração, preparada por ocasião do 50º aniversário de Bandung, na égide do Fórum Social Mundial Policêntrico que teve lugar em Bamako, é o desabrochar de uma tomada de consciência. É concebida em torno de grandes temas e afirma a vontade de construir
• O internacionalismo dos povos do Sul e do Norte face às agressões provocadas pela ditadura dos mercados financeiros e pela deslocalização mundializada e descontrolada das multinacionais;
• A solidariedade dos povos da Ásia, da África, da Europa e das Américas face aos desafios do desenvolvimento do século XXI;
• Um consenso político, económico e cultural alternativo à globalização neo-liberal e militarizada e à hegemonia dos Estados Unidos e dos seus aliados.

Enuncia os 8 princípios directores dum desenvolvimento diferente, fundado no equilíbrio das sociedades e na abolição de todas as formas de exploração (classe, género, raça ou casta). Com uma estratégia que se apoia na longa tradição da resistência popular e que tem em linha de conta os pequenos passos indispensáveis à vida quotidiana das vítimas.

Propõe objectivos para além do imediato, a longo termo, porque para passar da consciência colectiva à construção de actores colectivos, populares, múltiplos e multipolares, é necessário identificar os temas precisos para definir estratégias e propostas concretas. Propõem-se dez temas, fortemente ligados : a organização política e a globalização ; a organização económica do sistema mundial ; o futuro das sociedades rurais ; a construção de uma frente unida dos trabalhadores ; as regionalizações ao serviço dos povos ; a gestão democrática das sociedades ; a igualdade dos sexos ; a gestão dos recursos dos planetas ; a gestão democrática dos media e a diversidade cultural ; a democratização das organizações internacionais.

A Declaração de Bamako é um convite a todas as organizações de luta, representativas de vastas maiorias de classes trabalhadoras e excluídos do sistema capitalista neo-liberal, bem como a todas as pessoas e forças políticas que adiram aos seus princípios, para trabalharem juntos na concretização efectiva destes objectivos.

Texto completo (cerca de 20 páginas) disponível por pedido.

Resumo de Martine Theveniaut

4- « Quem é o bobo da corte » (literalmente « Qui est le dindon de la farce” – “Quem é o peru da comédia?”. A propósito da gripe das aves

Este artigo, muito documentado, mostra a importância determinante da indústria de aviário na propagação da gripe das aves. O vírus percorre mais as estradas e os caminhos-de-ferro da Ásia do que a via aérea das aves migratórias. Lá, onde se encontram as mais importantes concentrações de frangos industriais, as chocadeiras de frangos, as fábricas de produção de alimentos para aves (nas quais se incorporam matérias fecais, penas e restos de aves !) e estabelecimentos de produção de ovos para chocar que sabemos podem transmitir o vírus. Por todo o lado encontramos uma multinacional dos aviários, Charoen Pokphand, algures na Turquia. E, depois de 2004, o gigante farmacêutico suíço Roche, detentor da patente de produção do Tamiflu, que viu as suas vendas (e lucros) dispararem !

Agora que a gripe das aves grassa há já vários anos, o lançamento de uma campanha muito mediatizada dirige-se às explorações aviárias das pobres populações rurais da Ásia, com o objectivo explícito de as encerrar definitivamente (Margaret Say, Conselho para a exploração das aves e dos ovos da USA)

O silêncio da FAO inquieta porque até 2004 esta organização defendia a biodiversidade, sustentando financeiramente as pequenas explorações e elogiando os seus resultados. Representam um terço das proteínas consumidas por uma família rural média na Ásia. Estes responsáveis, porventura, aguardam provas antes de tomarem uma posição. Porque é preciso não esquecer que a produção tem também a ver com a concentração populacional da Ásia. As explorações familiares e rurais nunca seriam suficientes para o abastecimento mundial.

O exemplo contrário do Laos é significativo. Cercado por países onde a gripe das aves se propaga, praticamente não foi afectada. Porquê? Porque é praticamente auto-suficiente na sua produção, repartida entre explorações a céu aberto e de pequena escala ( cerca de 350 frangos, patos, perus, de raça local, por aldeia de 78 famílias) difundidas em todo o país. O que se pode considerar de bio-segurança. E, em 45 casos de gripe aviária detectados, 42 foram em Ventiane, capital do Laos, e em empresas comerciais de explorações de ponta.

Contra a intoxicação pelo vírus do medo, porque não a mobilização para conseguir um controle rigoroso e legal da indústria aviaria internacional?
Para saber mais, consulte o sítio da GRAIN, www.grain.org, ONG que pretende promover a gestão e a utilização sustentáveis da biodiversidade agrícola, baseada no controle das populações sobre os seus recursos genéticos e os conhecimentos locais.
Poderemos encontrar mais informações sobre a gripe das aves em
www.novethic.fr/novethic/site/article/index.jsp?id=98419

Resumo de Martine Theveniaut


5- Inclusão social e desenvolvimento económico comunitário Pesquisa efectuada no Canadá

Extraído do sítio Internet.

«A Rede canadiana de aprendizagem em desenvolvimento comunitário é um projecto da Rede canadiana de desenvolvimento económico comunitário (RCDÉC) lançada há dois anos e meio. Visa promover a aprendizagem de iniciativas integradas, em meio comunitário, e a examinar até que ponto elas contribuem para a coesão social.

Este projecto, que se desenvolveu de Outubro de 2003 até Março de 2006, teve como objectivo favorecer a aprendizagem por parte dos parceiros e a realização de pesquisas baseadas em dados empíricos com vista a lançar modelos integrados de prestação de serviços que respondam às necessidades das colectividades em matéria de trabalho, de competências, de formação, de desenvolvimento social e económico.

Primeira grande publicação no quadro do projecto, o presente documento analisa a documentação relativa à inclusão social e conceitos relacionados, e examina a capacidade das abordagens integradas, por exemplo, o desenvolvimento económico comunitário, no prosseguimento dos objectivos de inclusão social.

As consequências da exclusão social e da marginalização no Canadá são de medida difícil. Lacunas no campo da saúde e sua influência nas perdas de produtividade, passando pelo aumento dos custos sociais; a exclusão social implica não só prejuízos morais e perturbações sociais mas também custos efectivos elevados. Os governos federal e provinciais tomaram medidas para a melhoria da situação, mas as políticas existentes deixaram já transparecer as suas fraquezas.»

Para lá da análise documental, uma recensão de 15 iniciativas, em várias comunidades, ilustra bem como o desenvolvimento económico comunitário é uma abordagem que permite lutar contra a exclusão social.

Publicações disponíveis (acessíveis para download na Internet) em inglês e francês.
http://www.ccednet-rcdec.ca/fr/pages/learningnetwork.asp

Resumo de Yvon Poirier


6- Boletins e informações disponíveis na Internet Convite à assinatura

A- Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES)
O FBES publica um Boletim Informativo mensal. Envolve-se activamente na criação de redes internacionais de economia social e solidária. Esteve presente em Dacar Novembro passado. Rosemary Gomes, do FBES, ocupa actualmente um dos lugares assegurados pela América Latina no Conselho de Administração do RIPESS.
Apenas em Português.

Para subscrever : www.fbes.org.br/maladireta.

B- Economia solidária de Ontário
Esta rede de economia solidária na área francófona da província de Ontário (Canadá) publica um boletim mensal desde a sua fundação, há cerca de um ano. Mais de mil pessoas recebem já o boletim. Éthel Côté, presidente da Economia solidária de Ontário também é membro do Conselho de administração de RIPESS e da Rede Canadiana de Desenvolvimento Económico Comunitário.
Apenas em Francês.

Para subscrever : economiesolidaire@rdee-ont.ca

C- Aliança de Empresas Sociais
Esta organização norte-americana, que tem mais de seis anos de existência, anima uma lista de discussão. Mais de 3000 pessoas assinam a lista npEntreprise. As letras «np» significam «non-profit» (sem lucros). O conteúdo das discussões é muito rico em informações, se bem que se dirija preferencialmente aos Estados Unidos.
Apenas em inglês

Para subscrever: www.npenterprise.net/
Endereço da Aliança de Empresas Sociais www.se-alliance.org

D- Social Edge
Trata-se de um boletim semanal proveniente do empresariado social. É uma iniciativa da Fundação Skoll (Alemanha). Lançado em 2003 é difundido para 6000 pessoas. O sítio Internet contém imensos dados. Tem uma cobertura internacional e cobre um largo leque de países que utilizam a língua inglesa (Europa do Norte e Ásia). Organiza igualmente seminários e outras actividades úteis a empresários sociais.
Apenas em inglês.

Para subscrever : www.socialedge.org/

E-Boletim da União das Empresas Sociais
A organização Social Entreprise Coalition (SEC) da Grã-Bretanha reúne a grande maioria dos actores de economia social do país. Se bem que na Grã-Bretanha, a expressão utilizada seja de « empresa social », trata-se praticamente do mesmo que « economia social » utilizada por toda a parte. A organização publica um boletim semanal. O sítio Internet dá também informações pertinentes sobre a economia social na Grã-Bretanha, designadamente sobre as políticas públicas vigentes.
Apenas em inglês.

Para subscrever : www.socialenterprise.org.uk

7- Economia social e solidária na Europa : que futuro ? Anúncio de colóquio

A Rede Interuniversitária de Economia Social e Solidária tem o prazer de convidar para participar no Colóquio internacional organizado pelo Instituto de Estudos Políticos de Grenoble

O Colóquio terá lugar em 1 e 2 de Junho de 2006 em Lion. O francês é a língua oficial do Colóquio.

Para informações: colloqueESgrenoble@iep.upmf-grenoble.fr

Recensão elaborada por Yvon Poirier

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Os nossos boletins estão disponíveis na Internet:
http://desenvolvimentolocal.blogspot.com/
www.apreis.org/

Agradecimentos :
A Évéline Poirier do Canadá, pela tradução inglesa
A Anne Vaugelade, de França, pela tradução espanhola

Contacto (para informações, novas inscrições e desistências)
Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca
Francisco Botelho frbotelho@mail.telepac.pt

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