02/03/2012

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim informativo #86
1º de março de 2012

Sumário
O lançamento da Cúpula dos povos: “A transição, é agora!” Porto Alegre (Brasil) 24 a 29 de janeiro de 2012


Mensagem da equipe editorial

Mencionávamos no último número a importância da Rio+20 para o futuro do planeta e da humanidade.

Martine participava de um encontro preparatório no Brasil no mês de janeiro passado, a título de membro da delegação do Coletivo francês RIO+20
Que relação com o desenvolvimento sustentável? A priori, poderíamos pensar que estes desafios mundiais estão distantes de nossas preocupações quotidianas em nossas respectivas localidades. Mas, como sabemos todos, os impactos do modo de desenvolvimento atual afetam todo o planeta, inclusive em nossos próprios ambientes de vida. Não estamos ao abrigo desta realidade.

Assim, só podemos formular o voto que esta segunda “Cúpula da terra” 20 anos após aquela de Rio em 1992, leve finalmente para compromissos concretos a fim de preservar o planeta para as gerações futuras. E o voto que a mobilização no âmbito de uma Cúpula dos povos, que acontece paralelamente, consiga fazer ouvir a voz “da gente”, a nossa voz, a voz dos povos, das comunidades e dos simples cidadãos! Nós próprios devemos constantemente rever nossos modos de vida e de consumo, a fim de torná-los compatíveis com a salvaguarda da biosfera.

Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

O lançamento da Cúpula dos povos: “A transição, é agora!” Porto Alegre (Brasil) 24 a 29 de janeiro de 2012.

Por Martine Théveniaut

O principal obstáculo foi identificado: a fragmentação das respostas anda de mãos dadas com um horizonte de expectativas suscetível de reunir as forças vivas em torno de uma perspectiva comum. Cada estado fala por seu próprio país. Os grupos maiores defendem seus interesses setoriais. E um total não faz um global. RIO+20 é um convite feito à sociedade civil mundial para se encontrar... no Brasil! Brasil, berço de resistências sociais organizadas, vitalidade e longevidade das relações mantidas com a Europa!

A ambição de “Reinventar o mundo”

A “Cúpula dos povos Rio+20 por justiça social e ambiental” defende o projeto de ser um momento fundador, inscrito no mesmo calendário que a Conferência oficial da ONU, para afirmar a força política dos povos organizados e sua capacidade a tratar os grandes problemas do mundo, pois estes problemas são também deles! As redes que preparam esta cúpula são reunidas em uma “cúpula” aberta. Ela conta 300 a 400 organizações, representados por um comitê facilitador composto de pessoas e redes fundamentais do Brasil: povos indígenas, mulheres, comunidades negras, sindicatos... O FBES (Fórum Brasileiro de economia solidária) faz parte dela, representado por Andrea Mendes.

Redes de países vizinhos participam também. A Bolívia ocupa um lugar de destaque com a presença muito importante de Pablo Solon, negociador para seu país em Cancun que deu sua demissão de suas funções de conselheiro governamental. Comunidades indígenas dos 8 países da bacia do Rio Amazonas – com um projeto coletivo fundado sobre suas « cosmovisões” – resistem a decisões impostas em agendas e com métodos não coordenados. A internacionalização da cúpula começou com a entrada das redes da África do Sul, do Magrebe ou da Palestina.
O evento ocupará o Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro de 17 a 23 de junho de 2012, organizado de forma paralela e independente em grupos de discussão autogeridos, em torno de uma Assembléia Permanente dos Povos, que funcionará em relações “outside” / “inside” de vigilância e de proposta com os “negociadores” institucionais.

O Comitê de facilitação da preparação da Cúpula dos povos funciona, ele próprio, com um comitê executivo constituído da potente coordenação sindical da CUT, da Via Campesina do Movimento dos Sem Terra, e o GRAF-FSM (Grupo de Reflexão e de Apoio ao Fórum Social Mundial) (1).

Fórum dos movimentos sociais brasileiros e Cúpula dos povos: duas dinâmicas imbricadas.

No início, este FST (Fórum social temático) era concebido para 2 a 3 000 pessoas que vinham com o objetivo de preparar a Cúpula dos Povos, sistematizando os trabalhos de grupos temáticos que trabalhavam desde vários meses.
Seus trabalhos estão estruturados em torno de quatro eixos transversais:
a) Fundamento éticos e filosóficos: subjetividade, dominação e emancipação;
b) Direitos humanos, Povos, territórios e defesa da Terra Mãe;
c) Produção, distribuição e consumo: acesso às riquezas, bens comuns e economia de transição;
d) Sujeitos políticos, arquitetura do poder e democracia.
O compartilhamento dos resultados deve “apoiar a articulação das experiências com as contribuições políticas em um processo de internacionalização; agenda das transformações, fóruns eletrônicos, diferentes línguas para os participantes (2). A delegação do Comitê francês RIO+20 foi constituída para contribuir na base de seus próprios trabalhos e pensar o seu tipo de participação em uma estratégia coletiva (3).

As interferências entres os diferentes objetivos do encontro não permitiram tirar o máximo proveito dos trabalhos dos grupos temáticos, pois a organização é basicamente voluntária. A herança ideológica de um “centralismo democrático” se choca com os processos de uma autogestão inflacionista e dos superaquecimentos emocionais das lideranças. Dizer que não se parte de nada, é também aceitar dar-se regras do jogo para instalar a confiança, pela transferência do processo. Em realidade, o evento tomou muito mais importância. Ele mobilizou amplamente os brasileiros em período pré-eleitoral para prefeito e seus vizinhos de América Latina em torno do contexto geopolítico do subcontinente: de 20 e 30 000 participantes e quase mil atividades auto-organizadas! Poucos africanos e pouquíssimos asiáticos. Muitos descobrem a inter-relação das duas dinâmicas, a do FST e a da Cúpula dos povos.

O encontro, no entanto, permitiu fazer um balanço dos recursos e das fraquezas de uma sociedade civil que tenta tomar em mãos o leme a partir do que ela é hoje. Neste sentido, era provavelmente uma etapa, indispensável e útil, dentro de um processo de afirmação inédito.

O balanço do processo oficial

O Draft 0 da ONU publicado em janeiro, “O futuro que queremos!” é ruim. As declarações do Grupo dos 77 não propõem nada. A mecânica institucional está bloqueada, ao passo que tomado um por um os representantes de muitos países são críticos. No capítulo governança, um verdadeiro problema é que cada um fala em nome de seu país. Não há visão transversal e não há legitimidade para defender os bens comuns, não há organização realizar para defender este projeto. Alguns Estados são mais engajados do que outros, Brasil, China, pequenas ilhas, vários países da América Latina, a Índia nem tanto. A África é mais receptiva pelo fato da instalação de um primeiro órgão da ONU em Nairóbi. O Canadá, fechado, pode fazer fracassar a conferência.
Há expectativas da ONU a respeito de um terceiro setor não lucrativo, novas medidas do progresso não meramente econômicas, o acesso aos direitos, aos serviços, um crescimento do interesse pelos oceanos. Alguns temas estão maduros para avançar: água, soberania alimentar, uma autêntica representação da sociedade civil como terceiro pilar. Diante da força de lobbies que reinam sobre as instâncias da ONU, por que não institucionalizar um processo consultivo formalizado, à maneira dos Comitês econômicos e sociais europeus, ou do Mecanismo Sociedade civil da FAO, ou de uma tribuna oficial dos compromissos dos Estados, seguida em nível internacional.

A chegada no palco dos indignados.

Sua presença ocupou um lugar estratégico no desenrolamento. Eles acampam na frente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Convidados pelos organizadores do FST, três dias seguidos, entre meio-dia e 14 horas, eles testemunham e debatem entre as sessões oficiais de um programa nos stud. Eles animam uma sessão plenária no terceiro dia. Muito procurados, solicitados, instados a integrar-se na dinâmica que se instala, nem todos são membros do FSM, “apóiam” este combate, conscientes que “as organizações não respondem aos problemas que são colocados”. Indignados da Grécia, da Espanha (Catalunha), da Inglaterra, dos Estados Unidos, estudantes do Chile compreenderam que “os partidos não possuem a resposta”. Eles consideram como “sua responsabilidade mudar as coisas e encontrar ferramentas para descobrir outro modelo de democracia e de exercício do poder.”

Um ano após o início dos levantes populares, os indignados de diferentes países do mundo árabe dizem saber melhor hoje “trabalhando entre extremistas, onde estão seus amigos e seus inimigos: os islamitas, mais bem organizados, ganharam a primeira batalha nas eleições; os países ocidentais deixaram os ditadores agir e que eles largaram à própria sorte antes de apoiá-los por razões que não são desinteressadas; uma extrema esquerda dividida perdeu a energia de mudar o mundo”.
Esther Vivas, que veio da Catalunha, diz que “em sua vivência de europeia, ficou claro que o capitalismo é incompatível com a democracia. A resposta dos indignados é radical e frontal. Não é uma resposta cosmética da social democracia, mas a vontade de uma verdadeira democracia que seja também econômica e autogerida. Ela se conquista atualmente na vivência quotidiana e em respostas não-violentas: cuidar de pessoas isoladas e sem acesso a cuidados, impedir as expulsões de famílias insolventes que se multiplicam. Por enquanto o governo não ousa agredi-los já que a maioria da população os apóia. Os desafios são numerosos: combinar as formas de resistência e as lutas ainda espalhadas em uma dinâmica coletiva de resistência: local, nacional, internacional; conservar o apoio popular; aprofundar as análises integrando nelas o desenvolvimento sustentável que não era ainda percebido como prioritário, mas que vai ao encontro do anticapitalismo (solo, água...). É preciso preparar-se para uma resistência que vai aumentar da parte dos governos, pois é o início de uma revolução social”.

O movimento altermundialista continua a interrogar-se sobre seu futuro.
Veteranos fizeram esta constatação durante o Fórum Social Temático de Porto Alegre : « Estamos sempre convencidos da justeza de nossas ideias, mas não sabemos sair do nosso meio... Nosso problema é a renovação” diz na tribuna Chico Whitaker, 80 anos, um dos fundadores. De fato, os FSM só conseguem aliar-se na margem das forças vivas engajadas nas grandes mobilizações populares atuais para mais democracia. Este FST é parte das tentativas de reforma em curso para encontrar um novo fôlego. É verdade que a CUT e a Via Campesina continuam sendo uma força de resistência capaz de mobilizar muita gente. Dito isto, seus membros estão divididos sobre a “economia verde”, em um dilema, pois a industrialização do país, quer dizer também empregos, como diz a presidente Dilma”. Ativistas do desenvolvimento sustentável estavam presentes na caminhada de abertura de 24 de janeiro, sobre outras posições. Os debates entre os dois grupos foram, ao que tudo indica, muito vivos.

O FST foi finalizado por uma declaração da Assembleia dos movimentos sociais (4) e o lançamento da Cúpula dos Povos, no Gazômetro de Porto Alegre, sábado 28 de janeiro à noite, introduzido por organizadores do comitê executivo do FST. “Unidos na diversidade”, essa é a direção indicada por Carmen Foro, secretário do meio ambiente da CUT: o interesse das alianças prevaleceu sobre as divisões! É a melhor notícia destes encontros...

Enquanto membro francesa do Coletivo RIO+20 e membro do RIPESS Europe, este FST constituiu uma etapa muita instrutiva dos avanços de um ano de preparação. Documentos sólidos, linhas diretrizes, dissensos identificados... sustentam um interesse direto e mobilizam pessoas. A sociedade civil é colocada diante da responsabilidade de suas escolhas: unir-se para formar coletivamente coalizões construtivas e mudar a agenda, para fazer propostas concretas provenientes de sua experiência “alcançáveis desde 2012”. Passarelas foram instaladas, durante 4 dias, entre a conferência oficial e da Cúpula dos povos pelo Brasil que tem um interesse certo para melhores resultados do que em Copenhagen! Momento de busca de estratégia. Com o apoio de Luiz Fernando Pezao, vice governador do Estado do Rio de Janeiro, coordenador da infra-estrutura do Estado, a cidade do Rio pensa defender junto da ONU, entre 20 e 22 de junho, uma forma de levar melhor em conta de escalas de governança pública infra-regionais. O Brasil deseja um secretariado permanente para estabelecer um vínculo mais bem articulado entre o econômico e os Objetivos do Milênio acerca da pobreza. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável serão parte dos resultados: universais para toda a humanidade, a serem escolhidos para alguns alvos para 2030. A importância ponderada, dada aos alvos econômico, social e ambiental dependerá da força das mensagens e do peso das coalizões.

(1) http://www.grap.org.br/forum-social-tematico/
(2) http://dialogos2012.org/category/noticias/?lang=fr (português, inglês, francês, espanhol)
(3) Tribuna aberta pelo Coletivo RIO+20 que reúne na França umas quarenta organizações para a preparação da Conferência
http://collectif-france.rio20.net/2012/02/15/rio20-une-transition-maintenant-tribune-du-14022012-sur-mediapart/
(4) Disponível em 4 línguas no site http://rio20.net/fr/documentos

A respeito do boletim

Este boletim é publicado em francês, em inglês, em espanhol e em português. Ele é realizado de maneira totalmente voluntária desde o primeiro número em 2003.
A equipe editorial deseja agradecer as pessoas voluntárias seguintes pela sua participação na tradução e revisão:
Michel Colin (Brasil)
Paula Garuz Naval (Irlanda)
Évéline Poirier (Canadá)
Brunilda Rafael (França)
Queremos também agradecer o Policy Research Institute for the Civil Sector (PRICS) do Seikatsu Club no Japão pela tradução para o japonês.
Os boletins estão disponíveis na Internet em dois endereços.
http://developpementlocal.blogspot.com/

www.apreis.org/

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Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca

01/02/2012

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim informativo #85
1º de Fevereiro de 2012
Sumário

Mestres de seus próprios destinos


Mensagem da equipe editorial

Que votos nós poderíamos formular e partilhar com os nossos leitores, quando perigos tão grandes ameaçam o nosso planeta e o futuro das futuras gerações.

A atualidade coloca a Conferência RIO+20, de 20 a 22 de junho de 2012, no primeiro plano da agenda cidadã. É um momento decisivo para finalmente retomar em mãos o leme e redefinir o rumo: aquecimento global, dominação dos “mercados”, poderes exorbitantes de oligarquias que reinam sem controle democrático. O que esperar dos estados? Tetanizados pelas suas crises internas, eles remetem sempre para mais tarde suas responsabilidades na preparação, aqui e agora, de um futuro viável. As maiorias são voláteis. Suas condutas submissas aos poderes do dinheiro.

Nosso voto mais caro para 2012 é o êxito da “Cúpula dos povos Rio+20 por justiça social e ambiental” que acontecerá de 18 a 23 de junho. Uma plataforma brasileira plural reunida em um Comitê facilitador da Sociedade Brasileira se mobilizou para reunir os povos . Rico de sua pluralidade e de uma preparação que busca concentrar os avanços, ele estrutura propostas e permite melhorar as relações de força, a fim de fazer ouvir a voz da sociedade civil internacional em um espaço autônomo de discussão democrática. O evento acontecerá em paralelo à cúpula oficial. Nossa esperança é que as forças e propostas reunidas nesta oportunidade consigam mudar o rumo e instalar as bases de uma nova agenda internacional, para sair da irresponsabilidade atual.

Antes de tudo, somos atores de campo. Somos realistas. A construção deste futuro será árdua e longa, pois isto supõe leva em conta e integrar novos ângulos de visão em um pensamento reinante monolítico. Não devemos, portanto, esperar tudo das instituições: elas são falhas e, sobretudo, inapropriadas para enquadrar com eficiência os problemas que são colocados. Os testemunhos que apresentamos desde mais de oito anos, permitem-nos afirmar que os esforços das comunidades humanas em toda parte no planeta conseguem dar-se, continuamente, condições econômicas, sociais e culturais que colocam as necessidades humanas, e aquelas do planeta, em primeiro lugar. É por isso que continuaremos nossa missão de testemunho e de análise para que a governança, desde o local até o internacional consiga partir das realidades e dos potenciais mais do que andar sobre a cabeça! A finalidade é a organização das atividades humanas a respeito da satisfação das necessidades das pessoas e dos povos, e não o rendimento máximo do dinheiro no mais curto prazo

O artigo de Yvon, baseado sobre sua própria experiência de vida, mostra com força que se se quer reconstruir práticas de solidariedade nas comunidades de vida, muitas vezes, não falta muita coisa. Não precisamos reinventar a roda. As gerações precedentes, passando pelos Pioneiros de Rochdale e os bancos Raiffeisen na Alemanha etc., nos mostraram o caminho. É preciso simplesmente adaptar-se, estender tais práticas no nível das regiões maiores, até mesmo dos países. Não é tão fácil, bem o sabemos, mas sabemos também que o sistema capitalista não representa mais o futuro da humanidade. Devemos nos preparar!

A atualidade da cidadania em 2012 é também o Ano Internacional das cooperativas, decretado pela ONU. Nosso segundo voto é que este ano seja uma oportunidade para transmitir os avanços das gerações que nos precederam àquelas que nos seguem, que são motivadas e que se indignam, para que elas sejam acompanhadas de forma a se tornarem atrizes da transformação de seu próprio meio. A cooperação não consiste em afirmar-se do lado do poder no sistema tal como funciona hoje, pois ali há muito coisa a perder! É que cada um assuma sua parte de responsabilidade para reatarmos e desenvolvermos juntos o imenso potencial de uma economia para e pelas próprias comunidades. Obrigado a Yvon Poirier por este testemunho que religa assim o ontem ao amanhã, nestes momentos de votos.

Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

Mestres de seus próprios destinos

Por Yvon Poirier


No presente artigo, a expressão “Mestres de seus próprios destinos” faz referência ao título de um livro publicado em 1939, mas igualmente à história de uma comunidade na qual o autor deste artigo nasceu e cresceu.
Este livro (1) foi escrito por William Coady do departamento de educação dos adultos da Universidade Saint-François Xavier, situada em Antigonish na Nova Escócia, província do Leste canadense. Ele explica como, por meio de um processo de “educação das massas”, as comunidades de pescadores e de agricultores deram-se cooperativas como uma ferramenta econômica para assumir seus próprios destinos: tornando-se proprietários coletivos para a comercialização dos produtos da pesca, graças a bancos de poupança e crédito e lojas cooperativas. Por meio de círculos de estudos, alguns deles femininos, as pessoas tomaram consciência que eles próprios podiam gerenciar as atividades econômicas em vez de deixá-las nas mãos dos capitalistas, pretensamente os únicos que seriam competentes para gerenciar empresas. Depois, nos anos 40 e 50, o livro terá servido como ferramenta, mediante círculos de estudo, para a formação de cooperativas nas três Províncias Marítimas do Leste do Canadá, a Nova Escócia, o Novo Brunswick e Ilha do Príncipe Eduardo.

Ainda hoje, identifica-se sempre esta abordagem de empoderamento das comunidades em relação às suas atividades econômicas como o “Movimento Antigonish”. O sucesso desta abordagem educativa é internacionalmente reconhecido pela Coady International Institute, que, desde 1959, formou mais de 5 000 pessoas de países em desenvolvimento www.coady.stfx.ca/ (em inglês somente). O autor do presente artigo, pelo acaso de diferentes encontros, conheceu várias pessoas, especificamente na Ásia, que estudaram durante um ano no Instituto.

Por outro lado, a expressão descreve adequadamente como uma pequena comunidade francófona situada na província da Ilha do Príncipe Eduardo adotou espontaneamente a fórmula cooperativa, sem conhecê-la, desde 1862.
É útil precisar aqui que o território destas três províncias era uma colônia da França a partir de 1604, conhecida sob o nome de Acádia. Após a conquista desta colônia pela Coroa Britânica, a grande maioria dos “Acadianos” foi deportada entre 1755 e 1763, mulheres e crianças separadamente dos homens, por barco para a Europa, para as colônias britânicas situadas mais para o sul (antes da guerra de independência americana), e até para a Louisiana, ainda colônia francesa naquela época. Assim, estes francófonos Acadianos são sobreviventes desta “limpeza étnica”, seja porque escaparam à deportação, seja porque voltaram.

Assim, na província da Ilha do Príncipe Eduardo, eles constituem somente aproximadamente 4% da população total, mas são sobretudo concentrados em uma região chamada hoje “Região Évangeline”. Por isso, nesta região, eles são a maioria. Eles têm suas próprias instituições, entre as quais uma escola pública francesa para o ensino fundamental e médio.

O espírito de ajuda e de solidariedade que se forjara durante os séculos precedentes, a fim de sobreviver em um ambiente minoritário, terá tornado realmente natural a criação de uma primeira cooperativa, desde 1862 (2), que foi chamada um banco de sementes no intuito de constituir “uma reserva onde a maior parte das pessoas se comprometeu a depositar certa quantidade de sementes para prover às necessidades dos mais pobres entre eles quando o tempo das sementes tiver chegado...” Outros bancos similares foram criados na região e é somente em 1946 que a primeira encerrou suas atividades. Na virada do século XIX para o século XX, um grande número de cooperativas foi criado, algumas por alguns anos somente, outras por períodos maiores. Uma fábrica de queijos funcionou de 1896 a 1952 (ela se fundiu com outras cooperativas de queijo da província). Houve cooperativas para a comercialização de batata inglesa, de ovos, para o serviço de animais reprodutores, um moinho para moer o grão, etc.

Após a Segunda Guerra Mundial, uma nova geração de cooperativas, inspirada pelos escritos de William Coady, nasceu. Estas novas cooperativas se explicam igualmente, em termos, por uma forte diminuição da agricultura e o desenvolvimento importante do mercado da pesca, em especial do lavagante (crustáceo parecido com a lagosta).

Foi assim que foi criada em 1954 a cooperativa dos pescadores, uma fusão de duas cooperativas menores. A cooperativa funciona até os dias de hoje. Com sua usina de transformação, ela é, não somente o empregador mais importante (sazonal) da região, mas também um dos mais importantes empregadores “privados” de toda a província.



Durante a bênção dos barcos de pesca (31 de Agosto de 2008)

Durante estes anos, os membros da comunidade, muitas vezes os mesmos, têm igualmente dotado a região de uma loja de alimentação, de uma caixa popular (cooperativa de poupança e crédito), para falar somente das principais. Assim, a maioria dos membros da comunidade são membros de várias cooperativas.

Hoje em 2012, a maioria das atividades econômicas da região Évangeline são sempre cooperativas, apesar da globalização com os seus hipermercados e as grandes redes de distribuição. Além da pesca, da alimentação e do crédito, da poupança, foi criada uma cooperativa funerária.

Recentemente, uma cooperativa nasceu e é destinada à integração de imigrantes francófonos na região, entre os quais refugiados do Ruanda. A mais importante realização dos últimos anos terá sido a construção de um lar de pessoas da terceira idade, “A Cooperativa O Nosso Lar” com uns trinta quartos.

A história desta região é cara ao autor deste artigo, pois ali estão suas raízes. Após seus estudos universitários, ele se muda para Quebeque, a mais de 900 km. No entanto, ele ficou em relação com sua família que ele visita regularmente.

Suas lembranças de rapaz, acompanhando seu pai nas diversas cooperativas nos anos 50, são sempre claras e imperecíveis. Aliás, após o falecimento de seu pai em 1987, ele encontrou no livro de William Coady notas tomadas ao acaso de um encontro em um círculo de estudo em 1946. O acaso fez igualmente que os funerais de seu pai foram organizadas pelos fundadores de um nova cooperativa funerária da qual ele era membro. Assim como é natural que sua mãe, com a idade de 95 anos, seja hoje uma residente do lar “O Nosso Lar”.

Mesmo se ele não vive mais nesta região, a formação que ele recebeu em sua família e na comunidade o predispôs e formou a continuar neste espírito de solidariedade por um mundo melhor por meio de seus engajamentos para uma economia solidária e uma sociedade mais justa, para o conjunto dos habitantes do planeta.

(1)Masters of their own destiny, M.M. Coady, Harper @ Brothers Publishers, United States of America, 1939, 170 p. Este livro, publicado somente em inglês é pode ser enviado a pedido.
(2)As informações históricas são encontradas no livro « Le mouvement coopératif chez les Acadiens de la région Évangeline (1862-1982) », Cécile Gallant, 283 páginas

Links a respeito da região Évangéline:
http://www.rdeeipe.net/cdc/
http://regionevangeline.com/index.cfm/fr/accueil
http://museeacadien.org/fr/?page_id=1574
http://www.rdeeipe.net/2012/01/expansion-salon-funeraire/
http://www.evcfa.ca/ipe.nsf/Documents/Economie

A respeito do boletim

Este boletim é publicado em francês, em inglês, em espanhol e em português. Ele é realizado de forma totalmente voluntária desde o primeiro número publicado em 2003.

A equipe editorial quer agradecer as pessoas voluntárias seguintes pelo seu engajamento na tradução e na revisão:
Michel Colin (Brasil)
Paula Garuz Naval (Irlanda)
Évéline Poirier (Canadá)
Brunilda Rafael (França)
Além disto, gostaríamos de agradecer o Policy Research Institute for the Civil Sector (PRICS) do Seikatsu Club no Japão pela tradução para o japonês.

Os boletins estão na internet em dois endereços.
http://developpementlocal.blogspot.com/
www.apreis.org/

Entrar em contato conosco (para informações, novas assinaturas e cancelamento de assinaturas)
Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca

01/12/2011

Boletim internacional de Desenvolvimento local sustentável
Boletim Informativo #84
1º de dezembro de 2011

Sumário
Cloughjordan: Aldeia ecológica irlandesa

Mensagem da equipe editorial


Neste número Judith nos descreve a única aldeia ecológica da Irlanda, situada em Cloughjordan, a um pouco mais de uma hora de estrada da capital, Dublin.

O interesse desta iniciativa é que ela vai além do quadro estrito de iniciativas de agricultura orgânica ou de uma iniciativa de Agricultura sustentada pela comunidade (ASC).

Esta abordagem holística de uma comunidade local vai no sentido de iniciativas das quais testemunhamos em precedentes números e reforça nossa convicção que um mundo melhor é não somente possível, mas que ele se constrói quotidianamente em todos os cantos do planeta.

Próxima publicação: 1º de fevereiro de 2012.

Equipe Editorial
Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

Cloughjordan: Ecovila irlandesa

Por Judith Hitchman


Cloughjordan é a primeira, e por enquanto, a única aldeia ecológica na Irlanda. Situada no nordeste do condado de Tipperary, a aldeia se encontra a pouco mais de uma hora de estrada de Dublin, mas a 3 horas de minha casa familiar no condado de Waterford. Com Fergal Anderson, que acaba de deixar seu trabalho em Bruxelas junto à Via Campesina para se instalar como agricultor nas terras de sua família em Galway, nós fomos calorosamente acolhidos por Davie Philips, Presidente do Conselho de Administração da Comunidade agrícola de Cloughjordan. Tivemos igualmente a oportunidade de conhecer alguns outros membros do Conselho, e de fazer uma visita à fazenda “de baixo”. O tempo inclemente e os limites de tempo impediram que fôssemos na fazenda “de cima”.

Origens

Nascida em 1999 – os primeiros membros estiveram envolvidos na Dublin Food Coope onde se encontraram – o projeto é um conjunto que foi concebido como modelo de vida sustentável. O local foi escolhido por motivos diversos: acesso fácil à capital, Dublin; a estação ferroviária; a diversidade religiosa da comunidade da aldeia que se prestava a uma tolerância mais ampla... A aldeia é composta de umas cinquenta famílias ; essencialmente de origem neo-rural mais do que rural. 80 dos 130 lotes da aldeia já foram vendidos. Há igualmente uma pousada com 32 leitos, aberta não somente para os visitantes, mas igualmente para hospedar os estagiários que vêm para um grande número de formações que acontecem no seio da aldeia. (Agro-ecologia, biodinâmica, agricultura, permacultura, resiliência comunitária, liderança, etc.) Está previsto uma parte do espaço para incluir uma zona de empresas sociais verdes. Já que os princípios da aldeia e da fazenda são baseados sobre a co-propriedade e o desenvolvimento comunitário, no melhor sentido do termo, o valor agregado de tal projeto será enorme. Uma padaria com fogo de lenha tradicional está prestes a abrir no local. O padeiro já é muito conhecido em Dublin.

Muitas coisas foram escritas sobre a Ecovila. Ela é construída sobre um site de mais ou menos 67 acres (27 hectares) de terras. O que o torna único de seu tipo e aquilo em que ele difere de muitos projetos um pouco similares, é que ele se encontra em meio a uma pequena aldeia já antiga. Em vez de criar atritos e de levar à saída da população local, este projeto revitalizou a comunidade existente. E apesar de uma desconfiança no início, existe agora uma verdadeira aceitação das “coisas estranhas” que acontecem, e que são um canteiro de obras que não para. Isto inclui o único conjunto de placas solares na Irlanda, um sistema de energias renováveis comunitárias que fornece a água quente e a calefação em todas as casas, um sistema de tomada de decisões comunitário, e casas de diferentes tipos, construídas pelos próprios moradores (cânhamo, cal e outros materiais ecológicos...). Infelizmente as autoridades locais recusaram conceder o alvará para um sistema de purificação pelos caniços, apesar do fato que sistemas idênticos funcionam bem em outros lugares na Irlanda. Mas as autoridades irlandesas funcionam com total autonomia em relação umas com outras...

As atividades

O objetivo principal do presente artigo é de descrever o projeto bastante único em suas características de agricultura apoiada pela comunidade, que é integrado no conjunto do projeto da ecovila. A abordagem é a mesma que para o restante do projeto, e 60% dos membros da ASC vêm da ecovila. Estes últimos anos, as hortas comunitárias e municipais se tornaram um verdadeiro fenômeno. E as hortas são uma moda. Mas Cloughjordan é a primeira fazenda na Irlanda estruturada em ASC (Agricultura apoiada pela comunidade). No entanto, existe um número crescente de projetos em AMAP (versão francesa das ASC) na Irlanda. A fazenda não tem certificação como orgânica.




Simplesmente, não é necessário iniciar um processo longo e oneroso, já que os consumidores são os proprietários dos produtos, e que a fazenda, portanto, não vende nada; trata-se de um projeto comunitário construído sobre a confiança. No entanto, a fazenda utiliza os processos biológicos e dinâmicos. Existem duas parcelas, a de “cima” e a de “baixo”. As terras são alugadas, com os 12 acres de baixo e os 28 de cima. A fazenda organiza também projetos de vocação educativa: cursos de culinária, momentos de colheita, atividades escolares para crianças e jovens de qualquer idade.
A natureza única da fazenda é que ela é contígua à aldeia. A parte baixa se encontra logo atrás das casas. Isto quer dizer que as 57 famílias são, para a maioria delas, mais implicadas e mais conscientes do que a tendência geral da população. As contribuições semanais são muito modestas, baseadas sobre o tamanho da família e a renda. Mas, na hora em que estive lá, os legumes recentemente colhidos estavam simplesmente colocados em um velho galpão aberto três vezes por semana, onde os membros podem se servir como quiserem. Este sistema de livre serviço não provocou nenhum problema até os dias de hoje. Em outras estações, os legumes são deixados ali duas vezes por semana. Alguns membros da ASC moram em aldeias ou cidades vizinhas, como Negagh, a 10 quilômetros de lá. O que implica a necessidade de organizar cestos uma ou duas vezes por semana.

A fazenda fornece também leite cru das vacas da raça do Kerry a seus membros. Isto é possível, a despeito das normas das regulamentações da EU que proíbem agora a venda do leite cru, pois o leite não é vendido: os membros são considerados como proprietários, por causa de seu pertencimento ao projeto coletivo. Isto inclui também ovos e cereais, bem como os legumes. Um bom número de variedades antigas de legumes é cultivado na fazenda. E, mediante uma contribuição adicional, os membros podem partilhar também porcos e cordeiros. Contei pelo menos umas quinze variedades de legumes nos campos, o que representa uma bela diversidade para as possibilidades climáticas. “Wwofers” (rede mundial de voluntários na agricultura orgânica) do mundo inteiro vêm também trabalhar na fazenda.
No passado, a fazenda foi gerida por diferentes pessoas, mas a situação está atualmente bem estabilizada. Um aspecto bem divertido é a maneira como são estocados os legumes: um velho container de caminhão foi comprado pela modesta quantia de 200 euros. O interior foi equipado para deixar os legumes fora do alcance dos animais selvagens que ficariam tentados em comê-los, e com compartimentos para as diferentes variedades de legumes. Tudo isto bem arejado.

Os agricultores locais desconfiavam inicialmente das inovações da fazenda. Mas, os bons resultados, a qualidade inegável dos legumes, fizeram que eles aceitassem pouco a pouco a abordagem ecológica.

O método decisional utilizado para a fazenda e a vila em seu conjunto é uma adaptação do MSV (Modelo dos Sistemas Viáveis). Esta adaptação permite a todos os que se implicam de operar com um máximo de autonomia. O resultado é uma democracia real com uma estrutura organizacional coerente. O nível de implicação nos diferentes projetos tem por resultado uma comunidade realmente sustentável que se realiza, e um desenvolvimento local sustentável.

A fazenda pensa em organizar uma conferência ASC nacional em fevereiro próximo, a fim de criar uma rede irlandesa, e de realizar uma cartografia do que existe. Cloughjordan agora é membro de Urgenci, a rede internacional da ASC, e a este título, os convidou para participar. Que prazer que esta visita!

http://www.cloughjordancommunityfarm.ie/
http://thevillage.ie/
http://www.cloughjordan.ie/mainpage/index.htm
http://www.wwoof.org/

A respeito do boletim
Este boletim é publicado em francês, em inglês, em espanhol e em português. Ele é realizado de maneira totalmente voluntária desde o primeiro número em 2003.
A equipe editorial deseja agradecer as pessoas voluntárias seguintes pela sua participação na tradução e revisão:
Michel Colin (Brasil)
Paula Garuz Naval (Irlanda)
Évéline Poirier (Canadá)
Brunilda Rafael (França)
Queremos também agradecer o Policy Research Institute for the Civil Sector (PRICS) do Seikatsu Club no Japão pela tradução para o japonês.
Os boletins estão disponíveis na Internet em dois endereços.
http://developpementlocal.blogspot.com/

www.apreis.org/

Entrar em contato conosco (para informações, novas assinaturas ou cancelamento de assinaturas)
Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca

10/11/2011

Boletim Internacional de Desenvolvimento local sustentável
Boletim informativo #83
1º de novembro de 2011

Sumário
Economia social e instâncias municipais: para um desenvolvimento sustentável das coletividades locais

Mensagem da equipe editorial

Como dizíamos desde o início da publicação do Boletim em 2003, a construção das respostas, de baixo para cima, partindo das comunidades humanas e dos recursos dos territórios, é necessária para sociedades mais justas, em uma perspectiva de desenvolvimento sustentável.
Este artigo de Yvon foi escrito para a revistas Desenvolvimento Social no Quebec, no número publicado na oportunidade do Fórum internacional da economia social e solidária (FIESS) que aconteceu em Montreal de 17 a 20 de outubro passado. Yvon desenvolve o exemplo das relações que mantêm diversos atores socioeconômicos organizados em uma base municipal no Quebec, segunda mais importante província do Canadá, com uma população de 8 milhões (Canadá: 34,5 milhões). O número na íntegra está disponível no site da revista: www.revueds.ca (em francês e em inglês).
Seu artigo, documentado e preciso, ilustra de que maneira funcionam as ferramentas de desenvolvimento local no Quebec: todos têm um mandato de ação legitimado pela lei, regras de funcionamento coletivas e paritárias, a consideração da singularidade dos territórios, uma estratégia de desenvolvimento empreendedora com várias entradas, ferramentas financeiras de investimento, disposições adaptadas ao setor da economia solidária (chamada no Quebec economia social), reconhecido formalmente. O tempo de uso desta ferramenta dos territórios no Quebec permite dispor de resultados mensuráveis em termos de empregos e de empresas criadas, bem como de longevidade. A filosofia de ação reconhece o lucro, embora não faça dele A finalidade (lucrativa para alguns em detrimento das comunidades). O método engaja as autoridades locais em um processo participativo e estimula a mobilização de todos. Este artigo confirma a maturidade de uma alternativa econômica que o FIESS terá colocado em luz reunindo realizações do mundo inteiro que têm em comum de trazer respostas às necessidades essenciais a partir da base.
Equipe editorial
Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

Economia social e instâncias municipais: para um desenvolvimento sustentável das coletividades locais

por Yvon Poirier


No Quebec, a relação particular entre a economia social e as instâncias municipais – e por extensão as coletividades locais – é original e merece a atenção. A dinâmica entre a economia social e as municipalidades passa em especial por Centros locais de desenvolvimento (CLD) e Conferências regionais dos políticos eleitos (CRÉ) que sustentam ambos à sua maneira o desenrolamento da economia social.

CLD: um apoio técnico e financeiro da economia social

No Quebec, a responsabilidade pelo desenvolvimento local e pelo apoio ao empreendedorismo depende das municipalidades regionais de condado (MRC) ou das grandes cidades. A lei estipula que elas podem confiar o exercício desta competência a um Centro local de desenvolvimento (CLD). Existem 120 organismos deste tipo no Quebec: 111 CLD propriamente ditos e, em certos setores de Montreal , 9 Corporações de desenvolvimento econômico comunitário (CDEC) que possuem um “mandato CLD” . Todos são organismos sem fins lucrativos cujo mandato consiste em acompanhar os empresários particulares e coletivos na realização de seu projeto de negócios e de oferecer o conjunto dos serviços de primeira linha às empresas. Os CLD e CDEC constituem um ponto de encontro entre o mundo municipal e a economia social.

Foi em dezembro de 1997 que o governo do Quebec votava a lei 171 que cria os CLD. Esta lei vinha na esteira da Cúpula da economia e do emprego de 1996, que reconheceu a economia social como eixo estratégico de desenvolvimento, procurando em especial adaptar as políticas de apoio às empresas. Com esta lei, os CLD receberam como mandato desenvolver uma estratégia em matéria de desenvolvimento do empreendedorismo, inclusive aquele que se funda sobre a economia social. Ao mesmo tempo, o governo dotava cada organismo de um Fundo de desenvolvimento das empresas de economia social (FDEÉS), o qual permite o apoio específico deste setor. Hoje, os organismos não têm mais a obrigação de possuir um FDEÉS, mas uma grande maioria manteve uma ferramenta financeira específica para apoiar a economia social. Segundo os dados do ministério do Desenvolvimento econômico, da Inovação et da Exportação são mais de 100 milhões de dólares que foram investido pelo FDEÉS nas empresas de economia social em 10 anos (1998-2008), criando ou mantendo mais de 47 000 empregos e 5 700 empresas.

A capital nacional e a economia social
Em 2008, o governo do Quebec adotou um Plano de ação governamental para o empreendedorismo coletivo. Este plano de ação visava otimizar o impacto deste setor de atividade econômico e ele entende dar aos atores do meio meios concretos e adaptados a sua realidade a fim de aumentar o dinamismo das regiões e de responder às necessidades das comunidades numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.

O plano de ação prevê que cada Conferência regional dos políticos eleitos (CRÉ) assine um entendimento específicos em matéria de economia social. Essa última é definida da forma seguinte pelo ministério das Relações Exteriores, das Regiões e da Ocupação do território: “Um entendimento específico é uma convenção que associa uma CRÉ e um ou ministérios ou organismos governamentais ou outros parceiros para o exercício dos poderes e das responsabilidades da CRÉ, em especial para a implementação das prioridades regionais e para a adaptação das atividades governamentais às particularidades regionais. ” Em virtude de seu mandato, o Canteiro da economia social do Quebec acompanha a implantação destes entendimentos, em especial apoiando a constituição dos Pôlos regionais da economia social em cada uma das regiões, ação igualmente prevista no plano de ação.
As empresas de economia social se dotaram, na região da capital nacional de um pôlo de economia social constituído de 27 membros. O pôlo adotou algumas regras a respeito disto, isto é, deve haver um equilíbrio entre as cooperativas e as OBNL, paridade entre as mulheres e os homens, representação de sub-regiões (Charlevoix, Portneuf), representação de diversos setores de atividades. O pôlo de economia social é integrado à CRÉ da capital nacional e essa última endossou as regras fixadas para a nomeação dos membros do pôlo . http://www.crecn.qc.ca/ententes-specifiques/economie-sociale.php

A economia social representa, para a região da Capital naciona, um modelo emblemático, pois “as estatísticas mostram que a taxa de sobrevida após 10 anos é de 44% para as cooperativas em geral, em comparação com 19,5% para as empresas que não são cooperativas. Além disto, as empresas de economia social são fortemente inseridas em seu meio e não pensam nunca a fazer deslocalizações.

A política da Cidade de Montreal
Em 2009, a Cidade de Montreal inaugurava a Parceria em Economia social e solidária para um desenvolvimento solidário e sustentável, primeira política pública neste campo no Canadá. Esta parceria é fruto de uma colaboração entre os atores da economia social e a Cidade de Montreal.
“Os objetivos da parceria são de reconhecer formalmente a contribuição da economia social para o desenvolvimento econômico, social e cultural da metrópole; de apoiar a economia social apoiando-se sobre as conquistas sociais, reforçando os meios existentes e adotando novas formas de fazer que permitirão seu desabrochamento; de consolidar e de aumentar a contribuição dos atores da economia social para o desenvolvimento sustentável da metrópole do Quebec pelo viés da criação e do desenvolvimento de empresas coletivas respondendo às necessidades dos cidadãos.”
A Parceria quer agir em três grandes eixos que são o apoio ao empreendedorismo coletivo, as práticas de aprovisionamento solidárias, uma promoção integrada da economia social, um papel aumentado da economia social nos grandes projetos de desenvolvimento metropolitano e um aporte maior da economia social para a melhoria da qualidade de vida da população por intervenções na cultura, nos lazeres, no turismo, na moradia, no desenvolvimento sustentável.
Em 2007, o volume de negócios da economia social em Montreal foi avaliado em 2 bilhões de dólares. Perto de 3 600 estabelecimentos geram 61 500 empregos, seja 7% do emprego total na ilha de Montreal (tanto quanto a indústria turística).

Cooperativas ao serviço das populações locais
Fora dos grandes centros urbanos, as empresas de economia social são frequentemente um elemento chave da sobrevivência das cidades e dos vilarejos.
A este título, as populações locais, a maior parte do tempo com o apoio de sua municipalidade, instalaram atividades a fim de desenvolver ou de manter serviços de proximidade, essenciais para lutar contra a migração para os grandes centros, ou até simplesmente dos deslocamentos onerosos para maiores centros regionais. Os organismos de economia socila freiam o êxodo rural, até mesmo invertem a tendência em certos casos.
Assim, desde 15 anos, umas quarenta cooperativas de saúde foram criadas e estão em atividade nas diversas regiões do Quebec. A maioria destas cooperativas nasceram a fim de assegurar uma melhor acessibilidade a serviços de cuidados primários. Encontra-se assim na clínica, um ou médicos e às vezes, outros profissionais (enfermeiras, farmacêuticos). Nas menores localidades, os médicos abandonam a prática em consultório particular para se deslocarem para os centros maiores, e a população se vê totalmente privada deste serviço essencial.
Assim, para evitar deslocamentos de 50 ou 100 kilometros, as populações locais criaram cooperativas a fim de instalar uma infraestrutura que seja mais atraente para os médicos. Na maioria dos casos é a própria municipalidade, a caixa Desjardins local ou muitas vezes os dois organismos juntos que têm seja iniciado ou acompanhado a démarche de desenvolvimento (salas, animação de reuniões, etc.) na maioria dos casos, é mais de 80% da população local que é membro da cooperativa. Todavia, os não membros têm acesso aos serviços pelo regime público de seguro saúde.
Em um maior número de pequenas cidades ou vilarejos, serviços essenciais como um posto de gasolina ou uma venda desaparecem, pois não são rentáveis para as grandes empresas para as quais é o único critério. A fim de evitar perdas de tempo e deslocamentos onerosos, cidadãos e cidadãs, acompanhados pela municipalidade criaram cooperativas multiserviços a fim de dotar a comunidade destes serviços de base, acompanhados por outros serviços como um guichê de correio ou um guichê automático.
É importante sublinhar que a grande maioria destes projetos adota a forma de uma cooperativa de solidariedade, a saber cooperativas com mais de uma categoria de membros.

Desafios a serem enfrentados
Embora desde 1998, graças aos CLD e aos CDÉC, relações entre as autoridades locais e o setor da economia social tenham-se desenvolvido, permaneciam muitas vezes indiretas ou ocacionais, sobretudo nas regiões em que a economia social era pouco organizada em rede. No mundo rural, as municipalidades são frequentemente muito ativas na implantação e o apoio a empresas coletivas. Em vários setores, dos quais a habitação, o lazer, a cultura, os serviços de proximidade, os serviços para as pessoas e a gestão dos resíduos, as municipalidades se apoiam sobre as empresas de economia social para responder às necessidades da coletividade. Nos meios urbano, é somente pela implantação da Política da cidade de Montreal em 2009, e a implantação das Ententes previstas no Plano de ação governamental para o empreendedorismo coletivo que uma parceria formal entre as autoridades locais (graças aos CRÉ) e os atores da economia social das diversas regiões estabeleceram relações formais, entre outras coisas para a promoção e a consolidação da economia social. Na maioria das regiões, esta parceria é sempre na sua fase inicial e muito ainda deve ser feito para consolidá-la. Mas já, estas parcerias abrem um canteiro de trabalho para desenvolver em cada uma das regiões empresas de economia social aptas a responder às necessidades dos cidadãos de cada um dos municípios do Quebec, quer seja em meio ambiente, em transporte sustentável ou em serviços de proximidade.
Artigo publicado inicialmente (em francês e em inglês) na revista Desenvolvimento Social, Volume 12, Nº 2, outubro de 2011.
http://www.revueds.ca/

Mensagem da equipe editorial
A produção deste boletim, em francês, inglês, espanhol e português é realizada de forma totalmente voluntária.
Queremos agradecer os voluntários seguintes pelo seu engajamento:
Michel Colin (Brasil)
Paula Garuz Naval (Irlanda)
Évéline Poirier (Canadá)
Brunilda Rafael (França)
Além disto, queremos agradecer o Policy Research Institute for the Civil Sector (PRICS) do Seikatsu Club no Japão pela tradução para o japonês.
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Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca

02/10/2011

Boletim Internacional de Desenvolvimento Local Sustentável
Boletim Informativo #82
1° de outubro de 2011

Sumário

Nyéléni Europa: Um passo importante para o movimento de Soberania Alimentar na Europa

Fundação do RIPESS Europa, Solidarity Economy Network, Barcelona, 8-9-10 de setembro de 2011

Mensagem da equipe editorial


Judith nos comunica o avanço do movimento de soberania alimentar na Europa. Nós ficamos animados pelo desenvolvimento desta abordagem que constatamos no conjunto dos continentes.
Por outro lado, estamos felizes de anunciar uma excelente notícia, a saber, a fundação do RIPESS Europa. Martine e Judith participavam deste encontro histórico que aconteceu em Barcelona nos dias 8-9 10 de setembro passado.

Equipe Editorial
Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

Nyéléni Europa: Um passo importante para o movimento de Soberania Alimentar na Europa

De 16 a 22 de agosto, mais de 500 participantes vindos de 40 países, reuniram-se em Krems, na Áustria, a fim de partilhar suas experiências e de desenvolver o futuro das redes e das ações para aumentar a soberania alimentar na Europa.

Metodologia e conteúdo

A metodologia foi baseada sobre a do primeiro encontro de Nyéléni, que aconteceu no Mali em 2007, e que garantia que todo o trabalho de grupo e de subgrupo fosse interativo. O programa era dividido em 5 temas, que tratavam respectivamente:
1. dos modelos de produção
2. dos mercados alternativos, das cadeias de distribuição e redes alimentares locais
3. dos aspectos sociais e condições de trabalho
4. do acesso à terra e aos outros recursos
5. das políticas públicas

Uma atenção todo especial foi dada a uma participação jovem, cuja cota foi fixada em 30%, assim como a uma participação das mulheres. Havia também reuniões por grupo de interesse (produtores, ONGs, etc.) e um grande número de atividades auto-organizadas, tudo com uma excelente manifestação e uma feira pública, sobre uma das múltiplas praças históricas do centro histórico, destinadas à tomada de consciência pública.

Voluntários

Como isto é de praxe para tal tipo de encontro, a alimentação preparada foi local e natural, e as excelentes refeições vegetarianas (a base de produtos vegetais) eram preparadas por uma equipe de voluntários. Esta comida era de longe a melhor comida coletiva deste tipo que eu jamais comi! Uma grande equipe de intérpretes voluntários assumiu uma ampla gama de línguas da Europa do Leste, do Oeste, Du Sul e do Norte.

Características do trabalho da semana

O aspecto predominante do encontro era o ambiente e a dedicação para um trabalho sereno e concentrado dos participantes. Isto porque estávamos em um país da Europa central? Ou então, por causa da participação massiva de jovens incrivelmente comprometidos? Ou ainda, nestes tempos de crise a solução evidente parece ser de não criticar, mas antes de construir verdadeiras alternativas ao sistema neoliberal?

Muitas redes como La Via Campesina, Urgenci (a rede internacional da Agricultura Sustentada pela Comunidade – ASC), os Amis de La Terre [os Amigos da Terra] e outros atores do movimento da Soberania Alimentar eram atores chaves neste processo. As questões como:
1. a ASC e outras formas de venda direta
2. o acesso às ofertas de mercados públicos para pequenos produtores
3. os sistemas de garantias participativas (SGP) como a certificação alternativa pelos pares para a produção orgânica
4. a necessidade ver nascerem regulamentações que favoreçam a agricultura camponesa e a transformação dos produtos antes que os industriais, a proibição das sementes OGM, e a liberdade para os agricultores de trocar, vender e salvaguardar suas sementes,

faziam parte dos diferentes elementos percebidos como o caminho que permitiria ao movimento da soberania alimentar europeu de avançar com alternativas econômicas e sociais entre as diferentes partes envolvidas em todos os níveis para criar um verdadeiro diálogo social territorial.

Foi uma semana cheia de inspiração, sobretudo de ver tantos jovens cheios de energia e comprometidos na participação aos trabalhos.

A declaração final de Nyéléni Europa se encontra no site internet em www.nyelenieurope.net.

Judith Hitchman

Fundação do RIPESS Europa, Solidarity Economy Network, Barcelona, 8-9-10 de setembro de 2011.

No âmbito da estratégia da RIPESS internacional e dois anos após o 4° encontro de Globalização das solidariedades, acolhida no Grande Ducado de Luxemburgo, uma centena de delegados e de representantes de redes européias fundaram o RIPESS Europa. Eles não teriam conseguido ter sucesso neste acontecimento, quase sem meios, sem a mobilização e a acolhida calorosa da XES, Xarxa Economia Solidaria, membro do REAS espanhol. Aproximadamente 50 hospedagens solidárias na casa dos habitantes! Os países e regiões presentes foram: Alemanha, Bélgica, Catalunha, França, Espanha, Hungria, Itália, Luxemburgo, Portugal, Romênia, Suíça. Com a presença de uma delegação dos vizinhos mediterrâneos do Marrocos, da Tunísia e do Egito.

Na pauta do Congresso: a discussão e a validação das propostas que tinha preparado a Comissão de preparação, composta por membros ativos na preparação do Fórum Europeu LUX’09 em abril de 2009 (Manifesto e grandes linhas dos estatutos); a designação da primeira Comissão de organização. Ela é composta de um painel, ponderado entre: plataformas nacionais, redes regionais ou inter-regionais, redes setoriais ou inter-setoriais, pessoas-recursos ou pesquisadores.

As atividades dos dois próximos anos foram definidas nas suas grandes linhas a partir do compartilhamento dos trabalhos que serão conduzidos em 6 Grupos de Trabalho:
GT1— Cartografia, extensão, identidade e cooperação
GT2 – Serviços sociais de interesse geral (SSIG), relações entre o setor público e o ESS
GT3 – Desenvolvimento territorial, economia solidária, soberania alimentar, pacto local: quais convergências para construir coletivamente?
GT4 – Consumo responsável, comércio justo, e turismo solidário, finanças éticas: construir o mercado social.
GT5 – O ESS como alternativa ao sistema capitalista
GT6 – RIPESS Europa: estratégias, posicionamentos, métodos e mais-valia: como ocupar todo o seu espaço no debate europeu.

A abordagem territorial transversal que trazem mais especificamente os P’ACTES Europeus tem o seu lugar na fundação: com uma mulher como delegada principal, Priscila Soarès, 30 anos de ordenamento territorial no Algarve, no sul do Portugal, e France Joubert. O GT3 que eles animam deu-se como objetivo de produzir convergências, realizando viagens de estudo: boa ferramenta para aprender uns com outros: 2 ou 3 estão previstas em 2012: no Marrocos, na Catalunha, na Romênia.

Dos coletivos de atores para o ator coletivo, as condições são reunidas para que a Europa dê sua contribuição de êxito à grande transição!
Martine Theveniaut
http://www.ripesseu.net/

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O novo site web da Rede internacional de promoção da economia social e solidária (RIPESS) está a partir de agora em linha, em francês, inglês e espanhol.
www.ripess.org

O site será regularmente alimentado com notícias e avisos de acontecimentos, bem como de recursos e informações.
Fiquem cientes que vocês podem se inscrever e receber diretamente notícias a partir de agora.


Nossos boletins estão disponíveis na WEB:
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05/09/2011

Boletim internacional de Desenvolvimento local sustentável
Boletim Informativo #81
1º de setembro de 2011

Sumário

Economia Social e Solidária na China rural

Mensagem da equipe editorial


Nós estamos felizes em lhes apresentar informações concernindo à economia social e solidária na China. Apresentamos-lhes aqui a síntese de um trabalho acadêmico de uma estudante chinesa (que prefere o anonimato) numa universidade americana. Vocês vão descobrir que, lá também, pessoas percebem que é ao cooperar, ao juntar suas energias e seus recursos que podem melhorar sua situação, coletiva e individualmente. Apesar da ideologia oficial que vigora desde 1979. Pois, naquela época, tudo foi privatizado. As comunas* foram divididas em lotes individuais e as empresas funcionam sob a forma de estatutos capitalistas, com acionários. No entanto, nas zonas rurais chinesas, alguns recusaram esta virada e mantiveram a abordagem municipal coletiva. Outros a ela voltaram. Estas aldeias se tornaram referências nas zonas rurais pobres da China. Muitas vezes, com rendas per capita dez vezes superiores à media nacional. Mais recentemente, numerosas cooperativas camponesas foram criadas para a comercialização dos produtos, evitando assim de serem individualmente à mercê de intermediários. Estas cooperativas agrupam cerca de 13% do campesinato chinês, e as rendas destas famílias são mais elevadas que aquelas dos camponeses individuais. Estes avanços são notáveis, pois em certo número de casos, estas cooperativas foram criadas sem o apoio das autoridades locais. O governo central começa a pensar que estes desenvolvimentos são positivos e fundos especiais de fomento foram criados. Uma das maiores preocupações é claramente evitar acentuar mais ainda o êxodo rural para os grandes centros urbanos. Pois é sabido que a pobreza nas zonas rurais compele as pessoas ao êxodo.

Quanto a nós, sempre ficamos maravilhados ao observar as capacidades de iniciativa das comunidades locais, em toda parte no planeta, quando as pessoas unindo seus esforços, torna-se então possível melhorar a situação, até a própria vida de forma geral. Mesmo na China e apesar do individualismo reinante, agricultores ou pescadores, produtores de café ou de bananas, ao decidir congregar seus esforços, melhoram sua vida. E, como temos relatado tantas vezes em nosso boletim, quando eles começam a trabalhar juntos, eles chegam a cuidar do conjunto de suas vidas, quer seja a moradia, a saúde e a educação. Elas se inscrevem também numa abordagem sustentável de seu futuro, e daquele do planeta, um pouco no espírito das populações indígenas das Américas que têm por palavra de ordem que “cumpre pensar o desenvolvimento para sete gerações”.

Não pretendemos que se trata de um antídoto ao “mercado rei capitalista”. Entretanto, é evidente que se trata, ao mesmo tempo, de uma maneira de resistir e de construir abordagens solidárias e cooperativas que, na nossa opinião, substituirão, a prazo, um modelo dominante, predador e insustentável.

Equipe editorial

Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut

Economia social e solidária na China rural

Sob a nova direção comunista, a China realizou uma reforma agrária completa de 1949 a 1953. As terras foram tomadas dos latifundiários e distribuídas aos camponeses. A partir de 1958, o governo organizou comunas para que os camponeses pudessem organizar uma produção agrícola de grande escala com máquinas, marketing e fabricação de certos produtos. Em 1979, a nova direção decidiu privatizar as terras para os agricultores e as indústrias de propriedade coletiva foram vendidas aos capitalistas privados.

A razão avançada era que os camponeses nas comunas não tinham motivação individual. Este novo sistema foi chamado “sistema de responsabilidade familiar”. Na maioria das comunas, os camponeses concordaram, ou foram forçados a aceitar este novo sistema. No entanto, alguns recusaram e decidiram manter a organização por comunas. Para muitos daqueles que optaram pelo novo sistema, foi com resistências. Tratores e outras máquinas foram destruídos, pois não eram mais necessários. Assim, numerosos agricultores não podiam mais comprar um cavalo ou um boi para os trabalhos do campo. Isto levou muitos para a pobreza e é uma das razões que forçaram dezenas de milhões de pessoas a migrar para as grandes zonas urbanas industriais na China.

Hoje, algumas destas comunas têm um excelente desempenho:

• Os 30 000 aldeenses de Huaxi alcançaram uma renda anual total de 10 bilhões de yuans (cerca de 1,5 bilhões de dólares americanos). Além da agricultura, possuem uma siderurgia, uma empresa hortícola, uma fábrica de tecidos, entre outros. O volume de negócios total em 2010 era de 50 bilhões de yuans (8 bilhões de dólares americanos). Assim, a aldeia pode fornecer serviços gratuitos de saúde, de educação (até o doutoramento), a moradia, as prestações de aposentadoria e outras necessidades dos aldeenses.
• A aldeia Nanjie fica situada em uma província pobre do Henan. Os aldeenses são proprietários coletivamente do “Grupo Nanjie”, composto por 29 sociedades envolvidas no beneficiamento dos alimentos, na produção de tintas, de produtos farmacêuticos, de artesanato, de plásticos, na imprensa, na agricultura e nos serviços de viagem. Como em Huaxi, todos os serviços básicos, como a educação, a moradia e os benefícios de aposentadoria são fornecidos gratuitamente pela comuna. A população da aldeia é de 3.400 habitantes, e, no entanto, há 7.260 pessoas empregadas. Um fato interessante, os empregos na agricultura são mais remunerados do que nas fábricas, pois este trabalho é considerado mais difícil. A renda das famílias é cerca de dez vezes mais que nas outras aldeias da região.
• A aldeia de Xixiakou, uma comuna no Shandong tem uma população de 1.300 habitantes. Esta aldeia de pescadores, num período de 40 anos desde 1970, acumulou mias de 6 bilhões de yuans de ativos (2010). A maior parte das famílias possui um carro particular como também construíram o maior jardim zoológico da província do Shandong.
Liuzhuang, uma comuna no Henan, com uma população de 1700 habitantes, vivia ainda uma profunda pobreza nos anos 1980. Em 2009, a renda disponível dos membros aumento para 23 000 yuans por habitante, seja mais de dez vezes a média nacional.

Estes últimos anos, houve um aumento enorme de empresas coletivas, que utilizaram o nome de “cooperativas”, pois é politicamente menos sensível que “comuna” identificada à era maoísta.

Somente na província de Shanxi, há mais de 24.000 cooperativas rurais. (Han Yuhai, Universidade de Pequim, 2010). Desde 2003, o governo central compreendeu que confiar unicamente nas famílias não era o melhor caminho. Ele reconheceu que a organização de cooperativas rurais era um meio para estes camponeses saírem da pobreza. Senão, os camponeses são empurrados fora de suas terras pelas vendas de terrenos e a locação forçada. O governou destinou fundos especiais para ajudar as famílias rurais a se reorganizarem em cooperativas. Em 2006, as cooperativas rurais cobrem 13,8% da população rural chinesa. Mesmo se muitas são mais pobres que as comunas mencionadas acima, a renda de seus membros é pelo menos 20 a 30% mais elevada que a dos camponeses que não participam de uma cooperativa. O raciocínio que orienta as cooperativas é o mesmo que o das comunas – poupança coletiva, investimentos mais elevados e partilha dos benefícios. Por exemplo, eles podem comprar veículos para o transporte dos produtos em vez de serem totalmente dependentes dos intermediários. Eles podem também ser coletivamente proprietários de máquinas e comprar bens.

As zonas rurais na China têm que enfrentar enormes desafios em matéria de irrigação. As famílias individualmente não podem tomar conta deste sistema. A alocação de água para cada lote de terra é um problema espinhoso. Em algumas zonas rurais, como na província de Jiangxi, os agricultores administram sempre coletivamente o sistema de irrigação. Na maioria das regiões da China, o sistema de irrigação não está em bom estado. É por isto que o governo central prevê de gastar 620 bilhões de dólares nos dez próximos anos com a irrigação, pois ele deve assumir todos os gastos. É por isto que a administração e a manutenção coletiva da irrigação são a única abordagem para um crescimento sustentável da produção agrícola de longo prazo(Li Changping). Se o Quotidiano do povo tem artigos sobre estes assuntos, é porque há uma consciência crescente na China sobre estas abordagens alternativas.

Como diz uma estudante chinesa em suas conclusões, “a perspectiva das cooperativas rurais deve ainda ser confirmada por realizações futuras. No entanto, fica claro que um sistema em que todos não se preocupam de nada mais de que seu próprio interesse não pode verdadeiramente maximizar o bem estar dos indivíduos”.


Yvon Poirier
Notícias sobre Nanjie (em inglês)
BBC: http://news.bbc.co.uk/2/hi/8278128.stm

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03/07/2011

Boletim de desenvolvimento local sustentável
Boletim informativo #80
1º de julho de 2011

Sumário

Objetivos da Cúpula Rio+20

Mensagem da equipe editorial


A cúpula do Rio em 1992 teve o grande mérito de incluir na agenda das questões políticas mundiais os problemas ambientais e os princípios de um desenvolvimento sustentável. Os representantes do mundo socioeconômico, os Estados e a sociedade civil foram colocados frente à realidade: como transformar o modelo de produção e de consumo a fim de assegurar um futuro viável para a humanidade e a biosfera? De fato, vinte anos após RIO, no contexto de recursos limitados de que tomamos consciência, nós sabemos que as soluções clássicas de reaquecimento econômico serão ineficazes para solucionar os problemas. Globalmente, a situação se degradou: pobreza duradoura, crescimento da extreme pobreza nos países menos desenvolvidos, aumento da dependência alimentar, aprofundamento das desigualdades sociais e econômicas, redução da biodiversidade, pressões insuportáveis sobres os ecosistemas, aceleração das mudanças climáticas e do aquecimento mundial.

Será que hoje somos capazes de sair da esquizofrenia política que, por um lado, propõe soluções verdes, equitativas e sustentáveis, e que, por outro, impõe estratégias e medidas claramente orientadas na direção oposta em nome da competitividade e da livre concorrência? É o que está em jogo na Cúpula RIO+20 que acontecerá no Brasil, de 4 a 6 de junho de 2012. Não será nada fácil conseguir um consenso político.

Se nós, enquanto sociedade civil, cairmos na armadilha da cacofonia dos pontos de vista parciais e preconceituosos ou das respostas de especialistas sem base democrática, se não colocarmos na mesa de negociação propostas concretas sistemáticas, quem fará isto? Como escrevíamos no nº 78 do Boletim (maio de 2011), pensamos que as abordagens alternativas são hoje em dia mais realistas que a irresponsabilidade que reina nas altas esferas e nos levou para o desastre. O imperioso “fora!” dos povos para abolir regimes autocratas e auto-proclamados, a indignação da juventude do mundo cujo futuro comprometemos, são tantas razões para não desesperar. A geração que nos sucede se coloca, por sua vez, a questão de transformar o inaceitável em esperança.

Este nº 80 do boletim é dedicado a iniciativas tomadas no âmbito da preparação da Cúpula. Até junho de 2012, nos propomos continuar e retransmitir informações e dinâmicas que afirmam a via cidadã como a única escolha política de um mundo tecido por interdependências. Esta primeira iniciativa será colocada ao serviço dos intercâmbios restabelecidos no mês de março de 2011 entre os membros da RIPESS International, especialmente atenta à mobilização animada no Brasil pelo FBES (Fórum Brasileiro da Economia Solidária). Mas ficaremos abertos às propostas de artigos, e às informações que receberemos e que buscam também, como reconstruir uma economia cooperante a partir dos territórios.

Próxima publicação : setembro

Estamos felizes de lhes comunicar que nosso Boletim está atualmente disponível em japonês, Ele é traduzido em japonês por Yuko Wada do Policy Research Institute for the Civil Sector (PRICS) de Seikatsu Club Cooperative Union do Japão. O último número disponível é o número 78. Disponível a pedido.


Equipe Editorial
Judith Hitchman
Yvon Poirier
Martine Theveniaut


Objetivos da Cúpula RIO+20

Conforme a resolução da ONU - A/RES/64/236 – a Conferência tem três objetivos: obter um engajamento político renovado para o desenvolvimento sustentável; avaliar os progressos e as lacunas na implementação dos resultados; identificar os desafios novos e emergentes. A Conferência terá dois temas oficiais: “a economia verde no âmbito da erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável” bem como “o quadro institucional do desenvolvimento sustentável”. É evidente que temos de ir mais além.
 A economia verde, novo oximoro, não garante absolutamente o respeito do princípio fundamental de “sustentabilidade”, nem o compromisso de combater superconsumo, individualismo, ou iniciativas de curto prazo. O conceito não se posiciona tampouco em relação com a democracia, 4º componente acrescentado desde 1992 aos 3 outros (economia, ecologia e social) na Carta Magna de Curitiba (compromisso assinado por 300 cidades em 1992).
 Concernindo o âmbito institucional, o princípio da soberania nacional e o direito da concorrência para as atividades econômicas são inapropriadas, até mesmo contrárias à implementação dos princípios de interesse geral superiores. Pode-se esperar que a Cúpula RIO+20 afirme uma intenção firme de ir nesta direção, rumo a acordos compulsórios.
 Enfim, como fundar uma autoridade legítima em um mundo com interações emaranhadas? Qual é minha responsabilidade na economia, na sociedade, na cultura e na natureza? Como interligar estes grandes campos entre eles e com minha vida pessoal?

As respostas devem ser inventadas de novo neste contexto inédito.

A criação de um Coletivo francês RIO+20.
Desde o fim de 2010, um núcleo de associações animadas pela associação 4D (Dossiês e Debates para o Desenvolvimento Sustentável) tomou a iniciativa para mobilizar e inscrever o maior número de atores na transição para um novo estado do mundo no século XXI. Ele reúne hoje atores muito diferentes da sociedade civil, bem como sindicatos e prossegue dois objetivos:
- pensar a mudança e apresentar propostas concretas em 5 grupos de trabalho: cada um deles produzirá um documento de reflexão de umas dez páginas, sublinhando dissensos e consensos, resultando em propostas para as negociações oficiais, visando um debate e discussões públicas.
- preparar a mobilização em uma lógica internacional mediante eventos na França e com nossos parceiros em outros continentes: a fim de transmitir um conteúdo adaptado ao grande público, projetar a mudança rumo a outro paradigma e apoiar a transição, promover uma solidariedade internacional de regime obrigatório.

Os P’ACTOS Europeus foram se juntar ao Grupo de trabalho sobre a economia verde desde o mês de março de 2011.

Sua movimentação em torno desta temática traz sua contribuição:
1. ao Coletivo RIO+20 para propostas mais detalhadas e ilustradas por exemplos e testemunhos sob a rubrica “Fundar de novo a economia a partir do território”: Os territórios desempenham funções centrais de coordenação das relações entre atores e entre escalas e de gestão das respostas aos problemas essenciais da economia real e do viver juntos. Eles devem por isso ser reconhecidos como verdadeiros atores sociais e econômicos.

Respostas existem sobre os territórios em matéria de emprego, de alimentação, de desenvolvimento local sustentável, de cultura, de financiamento, de serviços locais, de transportes, de cidadania... Elas funcionam já como alavanca da economia local. Sob diferentes estatutos jurídicos, mercantis e não mercantis, estas organizações deixam a economia de mero proveito lucrativo, produzem e reinvestem os benefícios sociais.

2. ao debate europeu: Priscila Soarès, coordenadora de projeto na Associação IN LOCO, no Algarve, Portugal, membros dos P’ACTOS respondeu à chamada para consulta pública sobre a posição da União Europeia na Conferência sobre o desenvolvimento sustentável de junho 2012. Dois pontos das propostas que ela desenvolveu são retomados aqui:

O lugar das PME na transição:
“O Pacto mundial concerne principalmente às grandes empresas (...). Ora, seria muito mais necessário mobilizar as pequenas e médias empresas. Nem a ONU nem um de seus órgãos podem alcançá-lo diretamente, mas é possível aproximar, promover e encorajar as experiências e os movimentos do mundo inteiro que contam com a participação das PME nos processos locais e regionais baseados sobre desenvolvimento sustentável e democracia participativa. Esta opção abriria para a compreensão de como as PME são associadas ao serviço das comunidades e dos territórios e como elas são interconnectadas com outros atores igualmente envolvidos nas mesmas experiências e os movimentos”.

A outra concerne à escala europeia que visa em especial os P’ACTOS:
“A União europeia deve se tornar uma realidade mais coerente – em termos políticos, econômicos e sociais – a fim de desempenhar um papel chave durante a Cúpula. Sem uma mudança intrínseca neste sentido, a UE perderá a capacidade de fornecer novas ideias e a credibilidade necessária para mobilizar os cidadãos, as organizações da sociedade civil ou os Estados.
Como a Europa pode assegurar um apoio financeiro generoso para a construção da governança e a capacitação, se não existir posição europeia comum no que concerne ao financiamento da ONU e de seus órgãos?
Na esteira de sua tradição, a UE pode e deve propor e promover uma participação ampla e profunda da sociedade civil no processo de realização do desenvolvimento sustentável nos níveis europeu, nacional, regional e local. Agindo desta forma a Europa prosseguirá este objetivo principal no seio de seu território e fornecerá exemplos e modelos de governança que podem ser úteis e fonte de inspiração em nível internacional.
Em paralelo, a UE pode promover a integração das responsabilidades de sustentabilidade na responsabilidade social das empresas, melhorar e ampliar o quadro conceitual de sua ação.
Seria também importante integrar a estratégia de desenvolvimento sustentável na estratégia europeia para 2020, para superar uma abordagem fragmentada e setorial do desenvolvimento sustentável”.
O download do texto está disponível em inglês (Ficha datada de 30 de abril de 2011)
http://www.pactes-locaux.org/

3. ao roteiro da Rede europeia da Economia social e solidária que organiza seu congresso de fundação nos dias 9 e 10 de setembro de 2011 em Barcelona, em um grupo de trabalho, coanimado pelos P’ACTOS e Xarxa d’economia solidària (XES) – Rede de economia solidária catalã – “ESS, desenvolvimento territorial, soberania alimentar: quais convergências existem para construir coletivamente?”

http://wiki.ripesseu.net/index.php/Groupe_de_travail_3

4. Informações úteis a comunicar na agenda internacional do Boletim
Informações sobre a mobilização das sociedades civis:

O artigo 21 da resolução 64/236 de março 2010 : "Conclama todos os grandes grupos a participar ativamente das atividades preparatórias, em todas as etapas". Um fórum das partes interessadas é organizado antes para promover a participação das organizações da sociedade civil que mantêm um vínculo com a ONU. Lembremos que na definição da ONU, os grupos mais importantes da sociedade civil sãos as ONGs, os sindicatos, as empresas, as autoridades locais, as comunidades científicas, os jovens, os camponeses, os povos autóctonos. http://www.earthsummit2012.org

Mobilizações iniciadas:

O 3 de novembro de 2010, um Comitê facilitador da sociedade civil brasileira foi constituído numa iniciativa das organizações ambientais e sociais e dos movimentos sociais brasileiros. Ele é chamado “Cúpula dos povos” e tem “a marca da autonomia, combinada com a pluralidade e a possibilidade de diálogo com a dinâmica oficial e com outros setores dinâmicos”
http://www.ong-ngo.org/IMG/pdf/CALL_FOR_CSFC_RIO20_final.pdf
http://vitaecivilis.org/rio2012/images/stories/pub/Venez_reinventer_le_monde_a_Rio.pdf
Esta cúpula dos povos é em grande parte iniciada e apoiada pelo IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) site em português http://www.ibase.br/
A Fundação para o Progresso do Homem por sua vez coloca seus recursos e os de vários de seus parceiros ao serviço da preparação desta Cúpula dos povos. Um site está aberto que “visa dar uma visão de conjunto da mobilização internacional”.
www.rio20.net em 4 línguas

Martine Theveniaut

Para ter mais informações (em francês e parcialmente em inglês)

www.association4d.org/
www.affinitiz.net/space/rio2012 é um espaço criado a fim de facilitar os intercâmbios do Coletivo Rio+20 e de favorecer os intercâmbios de produções entre seus membros.
As informações são disponíveis em inglês e português.
Agenda de Eventos e Manifestação em torno da Conferência Rio-2012 http://collectif-france.rio20.net/files/2011/06/Agenda_RIO_20_2011_2012.pdf
Relatório PNUE sobre a Economia Verde: http://www.unep.org/greeneconomy


Nossos boletins estão disponíveis na Internet:
http://developpementlocal.blogspot.com/
www.apreis.org/

Agradecimentos:
Paula Garuz Naval (Irlanda) para o espanhol
Michel Colin (Brasil) para o português
Évéline Poirier (Canadá) para o inglês
Judith Hitchman (França) para a revisão texto em inglês

Entrar em contato conosco (para informações, novas assinaturas ou cancelamento de assinaturas)
Yvon Poirier ypoirier@videotron.ca

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